quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A diferença entre a Assessoria de Imprensa e a Propaganda

É muito comum termos dúvidas sobre a diferença entre Assessoria de Imprensa e Propaganda. A confusão começa na própria universidade, que trata os cursos de Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Relações Públicas como partes do grande guarda-chuva acadêmico da Comunicação Social. Para quem não é da área, imagine o exercício mental para não chamar erroneamente todos os profissionais de publicitários.
E o quebra-cabeça vai longe se analisarmos qual é a diferença entre Publicidade e Propaganda, se Assessoria de Imprensa é Publicidade, se a Assessoria de Imprensa é uma função mais voltada para jornalistas ou para relações públicas. Mas, para não corrermos o risco de criarmos mais confusão do que esclarecimentos, vamos nos ater à diferença entre a Assessoria de Imprensa e a Propaganda.
Em primeiro lugar, o que existe de unidade é que as duas atividades são estratégias de Marketing. Ambas têm o objetivo de divulgar informação positiva, defender a imagem, reduzir o impacto da informação negativa e, consequentemente, ampliar o mercado consumidor da empresa. Mas o conceito das duas tarefas é diferente.
A Assessoria de Imprensa trabalha com os espaços editoriais dos veículos de comunicação. Ou seja, ela fala com os jornalistas, que publicam as matérias e as reportagens jornalísticas. Já a Propaganda se atém aos espaços comerciais, mais comumente conhecidos como anúncios. E o contato será feito sempre com o departamento comercial do veículo de comunicação.
Com os serviços de Assessoria de Imprensa, as informações publicadas sobre sua empresa serão gratuitas e fruto de uma sugestão enviada à redação, usada de acordo com o interesse do jornalista e do espaço disponível. O jornalista poderá usar o texto enviado pela Assessoria de Imprensa da forma como achar melhor. Pode publicar apenas uma parte do texto encaminhado, complementar o material com uma entrevista com o porta-voz da sua empresa, usar o material junto com outras informações ou não usar nada.
Como tudo vem em forma de sugestão e sem nenhum acordo comercial, você jamais poderá saber com antecedência que resultados seu investimento em Assessoria de Imprensa trará. Já na Propaganda, você define o espaço, o dia e o conteúdo. E paga por isso.
Na Assessoria de Imprensa, a linguagem do texto é jornalística, sem adjetivos e centrada na objetividade e na clareza. Já no texto publicitário há espaço para adjetivos e expressões elogiosas ao produto.
Um bom Assessor de Imprensa é aquele que, entre outras habilidades, consegue estabelecer um relacionamento estreito com os jornalistas de redação para que a sugestão dos temas (chamados no jargão jornalístico de pautas) enviados se transformem em notícia publicada. Já os contatos do profissional de Propaganda são restritos ao departamento comercial do veículo.
Normalmente as pessoas acreditam mais em uma matéria jornalística do que em um anúncio. A maioria da opinião pública sabe que, se é um anúncio, foi pago e pode ter as informações elogiosas que o pagante quiser colocar. Já no caso da notícia, publicada por um jornalista isento, a credibilidade recai principalmente sobre esta imparcialidade. Por este motivo, um resultado de Assessoria de Imprensa tende a ter um impacto mais forte na imagem da empresa. Mas isso não quer dizer, de forma alguma, que a Propaganda seja dispensável.
Por fim, é bom sempre lembrar que um bom Marketing é feito pelas variadas e eficazes ferramentas disponíveis hoje no mercado. Assessoria de Imprensa e Propaganda são apenas duas delas. É só pesquisar, investir e, depois, comemorar os resultados.

*Karin Villatore é jornalista, diretora da Talk Assessoria de Comunicação e professora universitária.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Estágios em ritmo de retomada


Número de estagiários caiu desde o início da nova lei, promulgada dez dias depois da quebra do Lehman Brothers

Alexandre Tremarim, estagiário da Brose do Brasil: com jornada de 6 horas,
sobra tempo para os estudos

Passado um ano da entrada em vigor da nova Lei do Estágio, ainda é difícil fazer um balanço das mudanças provocadas pela legislação. A oferta de vagas sofreu grande redução no período, principalmente nos primeiros meses, mas a queda também pode ser decorrente da crise financeira mundial. A quebra do banco de investimentos Lehman Brothers ocorreu apenas 10 dias antes do início da vigência da lei.

Não só a oferta, mas também o número absoluto de postos de estagiários caiu. “Antes da lei havia 1,1 milhão de estagiários no Brasil. Este número caiu 18% ao longo dos últimos 12 meses”, afirma Seme Arone Junior, presidente da Associação Brasileira de Estágios (Abres).

Lilian Gomes, analista de processos do Instituto Euvaldo Lodi (IEL/PR), ligado ao Sistema Indústria, que atua no desenvolvimento de talentos e de estágio, afirma que a oferta de vagas mediada pelo instituto sofreu uma queda de 30% a 40% no último ano. “Além da crise, a obrigatoriedade do vale-transporte, a diminuição de horas, a remuneração das férias e a diminuição da jornada em dias de prova ajudou a desenhar este quadro”, diz Lilian. Ela também vê pontos positivos na nova lei. “[A lei] trouxe a faculdade para mais perto, a instituição precisa saber se a empresa é idônea, se a atividade do estagiário tem relação com a grade curricular e precisa fazer relatórios periódicos”, diz. A figura do supervisor também é mais maleável. Não há mais obrigatoriedade para que tenha a mesma formação do aluno, basta que comprove experiência na função – com exceção das áreas de saúde.

Segundo Luiz Nicolau Mäder Sunyé, presidente do Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE), responsável por metade dos estágios do país, a lei fez com que o estagiário deixasse de ser um trabalhador barato e consolidou a atividade como um ato educativo supervisionado. A lei obriga, por exemplo, correspondência da atividade com o currículo escolar, comprovação de matrícula e mínimo de frequência na instituição de ensino. “Em 2008 o CIEE intermediou até 40 mil estágios ao mesmo tempo no Paraná. Hoje este número caiu para 30 mil. Mas a recuperação econômica e o conhecimento da lei têm feito este número subir”, diz.

Ensino Médio

Arone Junior, da Abres, diz que os maiores prejudicados foram os alunos do ensino médio. O artigo 17 da nova lei estipula cotas de estagiários desse nível de escolaridade de acordo com o número de empregados. “Se as empresas pequenas – de até 100 funcionários, responsáveis por 44,6% dos empregos no Brasil – não aumentaram o número de contratações, também não houve crescimento no número de estagiários.”

Segundo Márcia Walter, gerente de Recursos Humanos da Brose do Brasil, a nova lei não fez a empresa diminuir o número de estagiários, sete no mo­­mento, mas precisou readequar sua relação com eles, oferecendo bolsa, adaptando-se à oferta de licença remunerada e treinando gestores internamente. Foram criados turnos para poder cobrir a redução de 8 para 6 ho­­ras diárias. “Para 2010 planejamos aumentar o número de estagiários em áreas que ainda não oferece”, diz ela.

Para estagiário, mudança é positiva
O estagiário Alexandre Tremarim, de 21 anos, vivenciou as mudanças provocadas pela nova Lei do Estágio. Hoje cursando o segundo ano de Engenharia de Produção, na FAE Centro Universitário, ele iniciou o estágio na Brose do Brasil, multinacional alemã que produz componentes mecatrônicos, três meses antes da entrada em vigor da legislação. Ele considera a obrigatoriedade de no máximo 6 horas de trabalho uma das grandes vantagens, porque permite a realização do estágio sem atrapalhar os estudos. “[A lei] foi extremamente positiva porque ajudou bastante com os estudos. A redução da jornada não foi tão brusca a ponto de atrapalhar a empresa e foi extremamente boa para disponibilizar tempo aos estudos”, diz.

Outra mudança positiva, segundo ele, foi de as férias se tornarem obrigatórias e no mesmo período das férias da faculdade. “Ajuda muito os estudantes que são de fora da cidade. Eu, por exemplo, sou de Santa Catarina e posso aproveitar para visitar minha família.”

Tremarim afirma que a relação entre o aluno e a faculdade aumentou, mas acha que pode ser melhorada. “Recebo e-mails constantes da faculdade, mas acredito que deveria haver um acompanhamento ainda mais próximo com o aluno”.

Adriano Justino

Gazeta do Povo

domingo, 4 de outubro de 2009

Jornalismo e literatura dão o tom da Feira do Livro do Sesc-PR

O Sesc-PR promove, a partir da próxima terça-feira (6), até o dia 11 de outubro (domingo), a 28.ª Feira do Livro. Trata-se de um evento temático, em que o foco será a relação entre Jornalismo e Li­­teratura – numa homenagem ao escritor Euclides da Cunha, morto há cem anos.

A programação conta com uma série de debates, que acontecerão no Sesc da Esquina (R. Vis­­conde do Rio Branco, 969).

Moacyr Scliar faz a paletra de abertura, na terça-feira, às 19h30. Na quarta-feira (7), às 9h30, os jornalistas Daniel Piza (O Estado de S.Paulo) e Almir de Freitas (Bravo!) fa­­lam sobre jornalismo cultural atual e seu futuro, com mediação de Paulo Camargo, editor do Ca­­derno G. No mesmo dia, às 19h30, o poeta Alexei Bueno faz palestra sobre Euclides da Cunha.

Na quinta-feira (8), a partir das 9h30, Fabrício Carpinejar e Sérgio Rodrigues conversam sobre jornalismo on-line e, na sexta-feira (9), também às 9h30, Ignácio de Lo­­yola Brandão e Affonso Romano de Sant’Anna discutem a crônica, um gênero sobretudo brasileiro.

A entrada para as mesas re­­don­­das é franca e precisa ser feita com antecendência nas unidades do Sesc-PR de Curitiba. Mais informações pelo telefone (41) 3304-2144.

Gazeta do Povo

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Boticário promove apresentações de teatros de bonecos

Com patrocínio de O Boticário, o espetáculo "Aprendiz de Botiqueiro", do grupo mineiro de teatro de bonecos Giramundo, será apresentado em diversos pontos de Curitiba e de São José dos Pinhais. Na peça, os personagens Dr. Botica e seu aprendiz Kioto interagem com o público, levando informações sobre a importância da preservação do meio ambiente.

Serão 18 apresentações gratuitas, entre os dias 11 e 19 de setembro, em locais como o Jardim Botânico, os parques Barigüi e São Lourenço, além de escolas municipais. No próximo domingo, dia 13, o evento será no Jardim Botânico e fará parte das comemorações pelos 19 anos da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza.

O espetáculo foi apresentando também durante 1ª Bienal do Livro de Curitiba, realizada de 27 de agosto e 4 de setembro, no Expo Unimed Curitiba. Além dos eventos na capital paranaense, a marca de cosméticos levou o grupo Giramundo a Brasília e Belo Horizonte, onde foram realizadas 26 apresentações gratuitas.


Espetáculo "Aprendiz de Botiqueiro".

Fonte: http://www.clickmarket.com.br

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Futebol e mídia na marca do pênalti

Por Lilia Diniz em 9/9/2009
O Observatório da Imprensa exibido na terça-feira (08/09) pela TV Brasil discutiu o panorama atual do futebol brasileiro. Problemas antigos, como a desorganização na administração dos clubes, ocupam rotineiramente as páginas dos jornais. Mas a mídia pressiona os times para um maior profissionalismo no chamado "país do futebol"? Por que um esporte que movimenta milhões de reais não consegue gerar lucro para os seus clubes? Outro ponto polêmico é a política de televisionamento dos campeonatos. A quem interessa o atual modelo?
O debate ao vivo contou com a presença de três profissionais que têm a trajetória marcada pela ligação com o esporte. No Rio de Janeiro, participaram Walter de Mattos Jr e Elena Landau. Walter de Mattos Jr é diretor-presidente e criador do jornal Lance!, o primeiro diário nacional de esportes do país e atualmente o maior veículo do segmento esportivo na América Latina. Economista com pós-graduação pela London Business School, Elena Landau é economista e advogada. Sócia do escritório Sérgio Bermudes, é professora da FGV do Rio. Escreveu colunas sobre futebol para o no.com e para o site do Jornal do Brasil. Em São Paulo, pela internet, o convidado foi o jornalista Juca Kfouri, que tem mais de 39 anos de profissão. Kfouri escreve para o caderno "Esporte" da Folha de S. Paulo. Participa do programa "Linha de Passe" e apresenta o "Juca Entrevista", ambos na ESPN. Também apresenta o "CBN Esporte Clube" na Rádio CBN e mantém um blog no portal UOL.
No editorial que abre o programa, o jornalista Alberto Dines questionou se futebol é "paixão" ou negócio. "O ideal seria que fosse as duas coisas. Desde as origens do rude esporte bretão no nosso país, o amadorismo dá o tom. Os clubes cresceram, construíram estádios, aperfeiçoaram campeonatos e ganharam milhões de torcedores e, mesmo assim, estamos anos luz atrás dos coirmãos europeus. O resultado se vê dentro das quatro linhas: os maiores craques do planeta jogam no velho continente", criticou. Dines ressaltou que times como o Flamengo, que tem cerca de 50 milhões de torcedores, não conseguem dar lucro. "Está na hora de repensar o futebol brasileiro. Alguns tabus precisam ser derrubados. Se não for a mídia, quem o fará?", disse.

O panorama argentino
Em entrevista por internet, o jornalista Ariel Palacios, que vive em Buenos Aires, explicou que recentemente o governo argentino comprou os direitos de transmissão dos jogos por 600 milhões de pesos. "

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Novas regras para celulares com TV digital também desagradam a indústria

Lúcia Berbert – Tele.Síntese

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior alterou o PPB (Processo Produtivo Básico) para terminal portátil de telefonia celular. O prazo para que 5% da produção total de aparelhos celulares incentivados, por empresa, tenham capacidade de recepção de sinais de TV digital compatíveis com as especificações e normas do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre foi prorrogado de 1º de janeiro de 2010 para 1º de julho de 2011, mas mantendo o mesmo percentual.
Outra mudança é a redução da importação de placas de circuitos impressos com componentes dos atuais 15% para 10%, a partir de 1 de janeiro de 2010. Mas, para cada 1% de modelos com TV Digital fabricados pela empresa, em termos de quantidade de aparelhos celulares, o fabricante poderá utilizar o percentual adicional de dispensa de montagem de placas de circuito impresso em 1%, limitado a 5%. Ou seja, a importação de placa ficará limitada a, no máximo, a 15%.
Por fim, exclui a obrigatoriedade de utilização do middleware GINGA-NCL. A consulta pública da nova proposta receberá sugestões durante 10 dias, a contar de hoje, data da publicação no Diário Oficial da União.
As alterações no PPB da telefonia celular foram feitas a pedido da indústria, que insistiu na impossibilidade de cumprir a proposta anterior. Porém, a avaliação inicial é de que a nova redação está aquém do que foi pedido. A indústria defendia 1% da produção total de aparelhos celulares com recepção para TV digital. E considera que a fórmula do cálculo do percentual de importação de placas como uma punição.

Fonte: http://www.direitoacomunicacao.org.br

Vale-Cultura deve ser votado em 45 dias

Carina Teixeira – Cultura e Mercado
Na ultima quarta-feira, dia 26 de agosto, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou uma mensagem ao Congresso Nacional solicitando que o Projeto de Lei que institui o Programa de Cultura do Trabalhador e cria o Vale-Cultura (PL 5.798/2009) tramite em regime de urgência urgentíssima. Isso significa que os deputados federais deverão votar a matéria em, no máximo, 45 dias.
Nessa forma de tramitação, o PL poderá receber Emendas Parlamentares em cinco sessões ordinárias. O PL 5.798/2009 será enviado, simultaneamente, para análise das Comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; Educação e Cultura; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados.
O andamento da proposta pode ser acompanhado na página eletrônica www.camara.gov.br,no link Projetos de Lei e outras proposições. Após a votação na Casa do Legislativo, o projeto segue para o Senado Federal, com mais 45 dias de tramitação.
O Vale-Cultura é a primeira política pública governamental voltada para o consumo cultural. Os trabalhadores poderão adquirir ingressos de cinema, teatro, museu, shows, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos culturais. O vale será similar ao conhecido tíquete-alimentação. Trata-se de um cartão magnético, com saldo de até R$ 50,00 por mês, por trabalhador, a ser utilizado no consumo de bens e serviços culturais. As empresas que declaram Imposto de Renda com base no lucro real poderão aderir ao Vale-Cultura e posteriormente deduzir até 1% do imposto devido.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Gilmar Mendes não comparece à audiência sobre diploma de Jornalismo

Redação - Comunique-se
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, não compareceu à audiência pública que discute a regulamentação de profissão de jornalista. Apesar de convidado para o debate, a agenda do ministro indica um encontro com o presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Na audiência, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, defendeu a regulamentação da profissão para garantir a qualidade técnica e ética na profissão. Em seu entendimento, a liberdade de expressão é um princípio da Constituição, mas ela mesma cria restrições para aperfeiçoar o exercício dessa liberdade, como a proibição do anonimato, a preservação da imagem e o direito de resposta. Congresso deve legislar sobre o tema, diz deputada A presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, deputada Maria do Rosário (PT-RS), também se mostrou favorável à exigência do diploma. Em sua opinião, a decisão do STF deve ser questionada e cabe ao Congresso legislar sobre o tema. O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade, defendeu que o decreto que instituiu a obrigatoriedade do diploma não “foi feito por causa da ditadura, mas apesar da ditadura”. Ele lembrou ainda que, mesmo com a exigência da graduação, os veículos de comunicação não estão restritos aos formados. "Não pode ser feita confusão entre opinião e o exercício do jornalismo", afirmou, lembrando que cerca de 40% dos profissionais das redações não são jornalistas. Deputados defendem aprovação de propostas Vários deputados também estiveram presentes à audiência e defenderam o retorno da obrigatoriedade do diploma. Jô Moraes (PCdoB-MG) defendeu a aprovação pelo Congresso das propostas que tratam sobre o tema. Fernando Ferro (PT-PE), afirmou que o tema é sensível porque parte dos parlamentares é comprometida por possuírem vínculos de propriedade com veículos de comunicação. A audiência foi convocada pelas comissões de Ciência e Tecnologia e de Educação e Cultura da Câmara. A iniciativa é da deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO). Para o debate foram convidadas entidades representativas do setor. Ontem, o Senado aprovou a realização de uma outra audiência sobre o tema, ainda sem data definida.
Com informações da Agência Câmara.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Europa contesta projeto do Google de digitalizar publicações

Redação - Portal Imprensa
A intenção do Google de digitalizar milhões de livros e colocá-los na internet - atualmente em análise pela justiça norte-americana - encontra resistência por parte do setor editorial europeu. Associações de editores da Alemanha, Áustria e Espanha planejam enviar ao judiciário dos EUA argumentos contrários ao projeto da empresa de buscas. A Justiça norte-americana deve conceder o parecer final sobre o caso em 07/09.
Na mesma linha das associações, a editora francesa Editis também se opõe ao projeto do Google. Na avaliação do diretor-executivo da companhia europeia, Alain Kouck, não é viável o acordo entre a multinacional de buscas e a associação de escritores das editoras dos EUA, parceria esta que permite ao Google digitalizar milhões de livros para a internet.
Até o momento, o Google já digitalizou mais de 1,5 milhão de livros nos Estados Unidos. Na mesma linha, Amazon, Microsoft e Yahoo! também se opõem publicamente ao projeto de digitalização de livros.
O Google já é alvo de um processo movido em 2006 na França, em que a editora La Martiniére alega que o projeto da empresa multinacional infringe as leis de direitos autorais. O resultado da ação deve sair em 24 de setembro deste ano.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Gol usa Twitter para comunicação com a imprensa

A companhia aérea Gol lançou um perfil no Twiter voltado especificamente para o contato com jornalistas. A postagem de informações ficará sob responsabilidade da equipe da Diretoria de Comunicação Corporativa, que publicará novidades da empresa, notícias sobre o setor de aviação e outros assuntos de interesse.
“A internet é o principal canal de vendas da GOL e um dos principais meios de contato da Companhia com seus clientes. Com o Twitter, que já se mostrou uma poderosa ferramenta de relacionamento, queremos nos aproximar ainda mais dos nossos colegas jornalistas", afirma Hélio Muniz, diretor de Comunicação Corporativa da Gol.
Na última semana, a empresa lançou um perfil no microblog voltado para analistas de mercado, acionistas e investidores.
FONTE: Comunique-se

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Recortes de jornal podem, sim, mudar a história

Elza Oliveira Filha
Ao determinar o arquivamento de 11 representações contra o presidente do Senado Federal, José Sarney, o presidente do Conselho de Ética da Casa, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), alegou na semana passada que suas decisões foram motivadas pelo fato das acusações serem baseadas em “recortes de jornais”. O sistema judiciário brasileiro efetivamente não permite a condenação em processo no qual o conjunto probatório se limite a informações publicadas na imprensa. E é correto que assim decida a Justiça, visto que a tarefa investigatória desenvolvida por jornalistas tem contornos diferenciados do inquérito policial ou da produção de provas na esfera judicial.
A finalidade da profissão, como bem definem Bill Kovach e Tom Rosenstiel, no livro Os Elementos do Jornalismo, “é oferecer in­­for­­­mações às pessoas para estas sejam livres e capazes de se au­­togovernar”. Mas a alegação de que chegaram ao Conselho de Ética apenas “recortes de jornais” e, portanto, as denúncias eram vazias, é um argumento capenga e a história está repleta de exemplos demonstrando o contrário – no Brasil e no exterior. Muitas vezes é a partir de denúncias da imprensa que os órgãos competentes aprofundam investigações e alcançam a punição de ilícitos.
Só para ficar em dois casos emblemáticos, vale citar o episódio Watergate, que levou à renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, e o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo – envolvido nas tristes imagens de bate-bocas do Senado na semana passada. No exemplo ‘collorido’ há que se registrar o papel duplo da mídia: em primeiro lugar ao inflar a candidatura do então governador de Alagoas, a quem foi atribuída a alcunha de “caçador de marajás” e, depois, colaborando na sua queda. Embora o espaço deste texto seja pequeno para aprofundar o debate, o caso Collor serve para demonstrar que nem sempre a imprensa defende os interesses coletivos, sobretudo no Brasil onde a propriedade dos veículos de comunicação muitas vezes se cruza com interesses políticos de variados matizes.
O ideal da atividade jornalística, no entanto, é que a lealdade primeira dos profissionais seja com os cidadãos e a essência da sua prática seja a disciplina da verificação. É isso que procuramos incutir nos acadêmicos de Jornalismo e por isso a maior parte da categoria defende a necessidade de formação específica para o exercício profissional
O papel do jornalismo nas sociedades democráticas é essencial para a garantia das liberdades de informação e expressão. Justamente por sua importância no exercício da cidadania é que uma das primeiras atitudes dos regimes ditatoriais é impor censura à imprensa. “A comunicação é o cerne da modernidade, inseparável deste lento movimento de emancipação do indivíduo e do nascimento da democracia”, escreve Dominique Wolton no livro Internet, e depois? Assim como outros pesquisadores que procuram entender as mudanças do nosso tempo, ele enfatiza o protagonismo da comunicação e enaltece a responsabilidade social do jornalismo. Wolton fará a palestra de abertura do XXXII Congresso Brasileiro de Ciência da Comunicação, no dia 4 de setembro, na Universidade Positivo, abordando o tema “Comunicação política: a política, a mídia e a opinião pública”.
Ao contrário do presidente do Conselho de Ética do Senado, que busca desqualificar o trabalho da imprensa, a comunidade científica e a população demonstram reconhecer a importância desta atividade. Uma comprovação é a pesquisa realizada em junho de 2008 pela Associação dos Magistrados Brasileiros para medir os índices de confiança da população nas diversas instituições. Forças Armadas (79%), Igreja Católica (72%) e Polícia Federal (71%) ficaram com as melhores avaliações. Logo abaixo vêm o Poder Judiciário, a Imprensa (com 58%) e o Ministério Público. As instituições político-partidárias têm o menor índice de confiança, 22% (disponível em http://www.amb.com.br/portal/docs/pesquisa/barometro.pdf).
A expectativa é que agora os demais integrantes do Conselho de Ética, ou mesmo o plenário do Senado Federal, reformem a decisão do senador Dutra e reconheçam que, sim, recortes de jornal podem mudar a história.
Elza Oliveira Filha, doutora em Ciências da Comunicação pela Unisinos, foi repórter da imprensa diária durante mais de 20 anos. É professora do curso de Jornalismo da Universidade Positivo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Circulação dos grandes jornais cai 6% no 1º semestre

Maiores perdas foram de O Dia (-24%), Extra, Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo (todos com -17%)

Alexandre Zaghi Lemos
Caiu 6% a circulação somada dos 20 maiores jornais diários brasileiros no primeiro semestre, na comparação com igual período de 2008. As maiores quedas foram de O Dia (-24%), Extra, Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo (todos com -17%).
Também registraram perdas Diário de S. Paulo (-11%), Diário Gaúcho (-9%), Meia Hora (-9%), O Globo (-8%), Folha de S. Paulo (-7%) e Super Notícia (-4%).
Na ponta oposta, comemoram crescimento Daqui (37%), Expresso da Informação (14%), Lance (8%), Agora (4%), Zero Hora (3%) e A Tribuna (2%).
Mantiveram-se estáveis - o que no cenário atual é uma vitória - Correio Braziliense, Estado de Minas, Correio do Povo e Valor.
Não houve alterações significativas no ranking, liderado por Folha de S. Paulo (média diária de 296 mil exemplares), Super Notícia (288 mil), Extra (262 mil) e O Globo (260 mil). Em seguida, aparecem O Estado de S.Paulo (215 mil), Meia Hora (203 mil), Zero Hora (184 mil), Correio do Povo (154 mil), Diário Gaúcho (152 mil), Lance (133 mil), Agora São Paulo (88 mil), O Dia (82 mil), Estado de Minas (76 mil), Expresso da Informação (67 mil), Daqui (63 mil), A Tribuna (62 mil) e Diário de S.Paulo (61 mil).
A única novidade é a estreia do Dez Minutos, de Manaus, na 18ª posição, com média diária de 54 mil exemplares - não considerados na conta de queda de 6%, pois foi lançado no final do ano passado.
Fecham a lista: Valor Econômico (54 mil), Correio Braziliense (53 mil) e Jornal da Tarde (49 mil).
A informação é da coluna Em Pauta publicada na edição 1370 de Meio & Mensagem, que circula com data de 3 de agosto de 2009.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Comunicação 360º

É, antes de tudo, uma mudança corporativa.
A Comunicação 360º é um planejamento conjunto, onde todos os departamentos, divisões ou assessorias que realizam atividades de comunicação têm uma unidade na informação, tendo em vista objetivos, valores e uma missão comum. O processo de tomada de decisões, deve ser compartilhado, e validado por um agregador a que todos se reportam.Ainda podemos conceituá-la como o conjunto articulado de esforços, ações, estratégias e produtos de comunicação planejados e desenvolvidos por uma empresa ou entidade, com o objetivo de agregar valor à sua marca ou de consolidar a sua imagem junto a públicos específicos ou à sociedade como um todo.
Na prática, além da falta de um planejamento comum, os departamentos ou assessorias competem entre si, definindo instâncias particulares de decisãodentro das empresas ou entidades.
A Comunicação 360º praticada com competência remete para um novo paradigma: a comunicação de uma empresa ou entidade não pode ser o resultado de esforços individuais, ainda que bem intencionados, porque a imagem da organização deve ser única.

Cibele Carvalho.


terça-feira, 23 de junho de 2009

ISAE/FGV oferece curso de mídias para colaboradores e mercado

Nos dias 25 e 26 de junho, o ISAE/FGV – Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas realiza, em Curitiba, o curso de curta duração "Comunicação Empresarial: Mídias para Colaboradores e Mercado". Com 16 horas/aula, o programa propõe uma análise crítica das ferramentas atuais de comunicação, apresenta novas alternativas de relacionamento com os colaboradores e o mercado, e reflete sobre casos práticos de comunicação de empresas paranaenses e brasileiras. O curso será ministrado pelo jornalista José Nascimento, gerente de produção da RPC TV, com 20 anos de experiência na área. Mais informações pelo telefone (41) 3388-7800, ou no site http://www.fgvpr.br/.

Twitter - O que é isso?

Em algum momento, em algum lugar você ouviu alguém pronunciar a palavra Twitter. E, certamente se perguntou: - O que é isso?
Eu, particularmente, quando ouvi pela primeira vez , imediatamente pensei em um terremoto, uma catástrofe...sei lá, foi o que me passou pela cabeça.
Era um domingo e estava dentro da FNAC. Fiquei curiosa e olhei para ver quem conversava. Eram três ou quatro adolescentes e um deles falava:
- Twitta aí, vai. Anda cara. Manda pelo Twitter!
E o outro ligeiramente passava seu dedo indicador sobre seu Iphone, dizendo:
- Já twittei, já twittei. Pronto cara. Foi pra todos nossos seguidores.
Olharam alguns livros e foram embora. Fiquei ali parada pensando na cena que acabara de ver e ouvir. Minha primeira atitude foi a de tirar meu celular da bolsa, olhá-lo e pensar: "E você? Não vai twittar, não?"
Cheguei em casa, corri para meu computador, entrei na página do Google (o Google é meu Pastor e nada me faltará) e digitei: Twitter.
Twitter: é uma rede social e servidor para microblogging que permite aos usuários enviar e ler atualizações de outros contatos, através da própria web ou por SMS.
Confesso que a princípio fiquei um pouco confusa em relação ao meu mais novo "amigo". Na manhã seguinte, o caderno de Tecnologia do jornal trazia uma matéria sobre o Twitter. Fiquei feliz, pois na noite anterior já conheci "a modernidade".
Na semana seguinte, durante o 12º Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa em São Paulo, qual era um dos temas principais?
A era do Twitter, redes sociais, hiperconectividade, enfim, a comunicação entra numa nova onda da sua história.
O que aconteceu? Me rendi. Entrei no site do Twitter, montei meu profile, e lá estou: http://twitter.com/SorayaBischoff
Twitter: a melhor maneira de propagar uma notícia em tempo real, use essa ferramenta a seu favor.

Soraya Bischoff

Correio Braziliense apresenta novo pacote gráfico

Jornal lança novidades com intuito de facilitar e tornar a leitura mais agradável, apostando também na internet como principal canal de interatividade com os leitores

O jornal Correio Braziliense apresentou aos seus leitores no último domingo, 21, seu novo projeto gráfico e editorial. As novidades ficam por conta do conteúdo inovador, grandes espaços para imagens e infografias, ênfase nas informações exclusivas e abordagem diferenciada das notícias, que tem como finalidade dar maior dinamismo a leitura e proporcionar interatividade com o leitor.
O principal diferencial da publicação é a produção de três jornais em um, pois o conteúdo foi dividido em três blocos: Primeiro Caderno - abordará notícias nas áreas de Ciência, Saúde, Tecnologia, Gastronomia e Terceira Idade, esse último dentro da seção Saber Viver; Caderno de Cidades - destaque para o noticiário político e econômico local, com objetivo de abranger todas as cidades do Distrito Federal e do seu entorno; Super Esportes - a principal novidade desse setor é o formato: o caderno será editado em berliner, um tamanho entre o tablóide e o standard, tradicionalmente adotado pelo jornal.
As novidades mudaram também outro suplemente diário, o Caderno C, que agora passa a se chamar Diversão & Arte. A seção privilegiará a utilização de uma linguagem mais pop, realçando o entretenimento e a prestação de serviços ligado ao universo das artes e espetáculos, com grande participação do leitor.
Todos os demais suplementos semanais da publicação não foram esquecidos e também ganharam um visual mais moderno, com imagens destacadas e estão muito mais dinâmicos.
Outra mudança importante foi na parte visual do jornal. O novo projeto gráfico garante maior fluidez na leitura com o fim dos fios e tarjas, e a maior oferta e pontos de entrada para os textos. A fonte também mudou, agora é Sans Serif. A arte é a peça fundamental dentro deste pacote visual do Correio, que se caracterizará pelo grande uso de peças gráficas e de infografias.
O mundo digital não foi esquecido na reformulação do periódico. Agora, o leitor passar a ter papel ativo na escolha dos conteúdos, explicitando suas vontades e gostos por meio de enquetes, fóruns, blogs e outras ferramentas interativas da internet.
O celular também será um meio de informação, quem quiser pode cadastrar seu celular para receber as últimas notícias do seu time de coração e as fofocas do mundo das celebridades. Outra facilidade do acesso mobile é o acesso ao conteúdo do jornal disponível no site do mesmo, por meio do navegador do celular. Aqueles usuários que instalarem o software de reconhecimento do recurso QR Code e tirarem uma foto com a câmara do aparelho, terão complemento do conteúdo encontrado na publicação.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Locação: inquilino tem que devolver imóvel vazio



Daphnis Citti de Lauro


É comum, por ocasião do término do contrato de locação, o inquilino entregar o imóvel ao locador, com vários objetos dentro dele. Em geral, além de lixo, móveis que o locatário não tem interesse e, ao invés de dar ou jogar fora, larga no prédio que lhe estava alugado, por ser mais cômodo e mais barato.
A lei que regula a locação prevê, na cláusula que trata das obrigações do locatário, a de "restituir o imóvel, finda a locação, no estado em que o recebeu, salvo as deteriorações decorrentes do seu uso normal".
Assim, se por ocasião do início da locação, o imóvel foi entregue ao inquilino, sem bens no seu interior, deve assim ser devolvido. Se foi entregue com bens, deve ser feita uma relação (constante da vistoria), e, por ocasião da devolução do imóvel, esses bens devem ser devolvidos no estado em que foram recebidos (salvo as deteriorações decorrentes do seu uso normal, como reza o artigo 23, inciso 3.º da Lei 8.245 de 1991).
O proprietário não está obrigado a receber as chaves do imóvel de sua propriedade, se não estiver completamente livre de pessoas e bens. Pode recusá-las e, enquanto o inquilino não retirar tudo que deixou, a locação prossegue, permanecendo a obrigação de pagar aluguéis e encargos até a efetiva entrega das chaves, do imóvel absolutamente vazio.
O Clipping Eletrônico da Associação dos Advogados de São Paulo publicou interessante decisão, acerca de uma ação em que a inquilina de um imóvel pretendeu entregar as chaves às proprietárias e estas se recusam a recebê-las, tendo em vista que ainda havia bens dentro dele. Como elas se recusaram a recebê-las, porque ainda havia bens dentro dele, a inquilina propôs ação judicial para fazer a entrega das chaves em Juízo (consignação de chaves).
Ocorre que a inquilina perdeu a ação. O juiz de Primeira Instância julgou a ação improcedente, entendendo que o bem não estava efetivamente desocupado. No caso específico, a inquilina deixou um cofre pesadíssimo, televisores, equipamentos e diversos armários de metal.
O Superior Tribunal de Justiça manteve a decisão do juiz. O relator do recurso especial, ministro Hamilton Carvalhido, da Sexta Turma, justificou que "a transmissão da posse do imóvel ao locador, contudo, somente se opera com o restabelecimento do seu poder de uso e gozo do bem restituído, induvidosamente inocorrente quando se tem a embaraçá-lo a existência de bens do locatário do seu interior". Desta forma, se o inquilino não devolver o imóvel vazio, tal como o recebeu, a recusa no recebimento das chaves é justa.
Daphnis Citti de Lauro é advogado, é autor do livro "Condomínio: Conheça Seus Problemas". dclauro@aasp.org.br www.dclauro.com.br

segunda-feira, 11 de maio de 2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

"Não é possível dar google em tudo"

Por Sylvia Colombo em 5/5/2009

Vida de escritor, de Gay Talese, 509 pp.,
tradução de Donaldson M. Garschagen, Companhia das Letras,
São Paulo, 2009; R$ 59; reproduzido da
Folha de S.Paulo, 2/5/2009

Gay Talese está otimista. Apesar das ameaças ao jornalismo impresso, por conta da expansão do alcance da internet e da perspectiva dos efeitos da crise internacional, o veterano autor, 77, acha que periódicos e revistas têm sobrevivência garantida caso continuem apostando em boas histórias. "Sei que falo como um velho da profissão", disse, em entrevista à Folha, por telefone, de Nova York, onde vive. "Mas o mundo está cheio de coisas interessantes. Basta ser criativo para encontrá-las e disseminá-las de modo original."
Para Talese, porém, vive-se um momento de incerteza por conta da fragilidade de alguns veículos. E destaca o exemplo do New York Times, que se encontra em uma situação econômica alarmante. "Vários erros foram cometidos ali. O principal deles foi terem aberto seu conteúdo on-line."
Em sua opinião, o equívoco estaria em tornar gratuito algo que custa caro, a informação. "Há mentiras em todos os lados, na política, no esporte, na cultura. Buscar a verdade é a essência do jornalismo. Só que essa busca custa caro. É preciso pagar o repórter, suas contas, suas viagens, seus telefonemas e até a imensa quantidade de tempo que se perde atrás de pistas faltas."
Se isso não for feito, conclui, não haverá diferença entre uma informação obtida pelo Guardian ou por um blog anônimo. "É preciso cobrar pelo que se publica. Porque se trata de uma tentativa de encontrar a verdade, uma verdade que é necessária para a sociedade e que tem um preço." E arremata: "Não é possível dar um google em tudo e achar que assim se está informado. A internet está cheia de lixo".
Qual seria a saída, então, para evitar a queda da circulação de jornais e o desinteresse de anunciantes tanto nos meios impressos quanto nos eletrônicos? "Não sei", admite. "A economia e os governos têm de dar conta disso. Não sou pessimista. Sei que é um momento trágico, mas o que fazemos é muito importante e não acredito que deixará de ser."

terça-feira, 21 de abril de 2009

Web força jornais a rever modelos digitais

Grandes jornais brasileiros entram no debate sobre a cobrança ou gratuidade do acesso aos seus conteúdos na internet

Jonas Furtado
Uma adaptação capitalista para a mais filosófica dúvida da
dramaturgia universal assola donos de jornais do mundo todo.
Cobrar ou não cobrar pelo acesso ao conteúdo de suas versões
digitais é a questão que insiste em não calar para grandes grupos
de mídia impressa. No epicentro do debate está a imprensa norteamericana,
cujos prejuízos vêm se intensificando com o
agravamento da crise econômica. Grandes companhias, como a
Time Inc. e o New York Times Co., estudam formas de serem
remuneradas pelo acesso a seus conteúdos na web.
Paralelamente, a Associated Press tem disparado verbalmente
contra os agregadores e buscadores de notícia, a quem acusa de
obter lucros à custa da apropriação indevida de conteúdo
produzido pelas empresas jornalísticas.
No Brasil, a discussão também já foi estabelecida, mas em
temperaturas mais amenas ? ao menos por enquanto. Desde o final
da década de 90 sobressaía a tendência, entre os jornais, de
apostar no livre acesso ao conteúdo digital para incrementar a
audiência online, gerando interesse dos anunciantes e ótimas
receitas publicitárias. "Como a publicidade no meio internet não
está consolidada, está acontecendo uma correção de rumo. A
grande maioria das empresas de agora entende que é importante
cobrar pelo conteúdo", diz Ricardo Pedreira, diretor executivo da
Associação Nacional de Jornais (ANJ).
O Grupo Estado, que publica o Estado de S. Paulo, já
experimentou praticamente todos os modelos, e hoje adota um
sistema misto ? há notícias exclusivas para assinantes, enquanto
parte do conteúdo é de acesso livre. O diretor de conteúdo do
grupo, Ricardo Gandour, acredita que o advento dos buscadores e
agregadores de notícias subverteu o modelo idealizado
anteriormente. "O agregador mudou essa dinâmica. Hoje, há
terceiros pegando conteúdo alheio e montando um negócio
próprio. Mas não se pode ignorar que esse conteúdo teve um custo
para ser produzido", diz.
Gandour defende que os meios geradores de informação estudem
urgentemente um modelo de negócio pago para a plataforma
digital, como condição essencial para a existência do jornalismo
de qualidade. "Eu vejo a sociedade valorizando a informação com
credibilidade, assim como assinam uma TV a cabo e pagam até por
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assinatura de água hoje em dia. O consumidor paga por
conveniência e confiabilidade", compara. "Mudar esse cenário
atual é um desafio importante porque, no fundo, estamos falando
de perpetuar marcas. E marcas se perpetuam com a sociedade
reconhecendo o valor do serviço oferecido."
Para o superintendente do Grupo Folha, Antonio Manuel Teixeira
Mendes, o modelo online vigente corre risco de um "travamento"
caso os provedores de conteúdo não sejam acomodados em um
sistema economicamente viável também para eles. "Há muitos
players ganhando dinheiro no universo digital, como as empresas
de telecom, tecnologia e plataformas", afirma. "Mas as pessoas
acessam a internet motivadas pelo que aparece na tela, e não
pelo que está por trás dela. Portanto, o que aparece na tela tem
de estar monetizado e ser devidamente remunerado."
Enquanto boa parte do conteúdo da Folha Online tem acesso livre,
as versões digitais das edições impressas da Folha de S. Paulo são
exclusivas para assinantes do jornal ou do provedor UOL. Esse
modelo é o mais interessante para os provedores de acesso,
segundo Guilherme Ribenboim, presidente do Internet Advertising
Bureau Brasil, entidade que regulamenta o uso dos meios
interativos de comunicação e marketing no País. "Cria um
conteúdo premium, fechado para assinantes, que agrega valor ao
negócio dos provedores. É um diferencial para conquistar
assinaturas", justifica. Ele não acredita, porém, em sistemas de
cobranças como o micropagamento, inspirado no comércio de
músicas online. O modelo, pelo qual o usuário pagaria
determinada quantia por notícia lida, é um dos mais aventados nos
debates do assunto. "Pela minha experiência com internet, não
vejo o mesmo modelo funcionando com notícias. São coisas muito
diferentes. Uma música é por definição um arquivo."
Cultura estabelecida
A opinião de Ribenboim é compartilhada por Marcelo Rech, diretor
de produto do Grupo RBS, que publica o Zero Hora e mais sete
jornais nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. "Acho
pouco provável que um sistema de micropagamento funcione. Meu
feeling é que as pessoas não estão dispostas a pagar por nada na
internet. É uma cultura que se estabeleceu", analisa. A exceção
que faria o internauta mexer no bolso, para Rech, seria o acesso a
um conteúdo muito diferenciado. Essa é a fórmula do The Wall
Street Journal, que por muito tempo foi voz destoante no meio ao
cobrar pela leitura de suas notícias quando a tendência apontava
para o acesso gratuito.
Atualmente, o conteúdo dos jornais do Grupo RBS é oferecido
integralmente e com acesso livre na web, mas diferentes modelos
vêm sendo discutidos. A aposta para o futuro segue o pensamento
do presidente da empresa, Nelson Sirotsky, para quem a
informação será gratuita, e o jornalismo, pago. Rech explica. "A
informação hoje é uma commodity. Todo mundo tem ao mesmo
tempo. Se ofereço no jornal a mesma notícia 24 horas depois de
ver as fotos nos sites e as imagens na televisão, estou
desvalorizando meu produto. Alguns jornais ainda acham que
estão em 1970", critica. "O modelo de jornal impresso com que
trabalhamos é cada vez mais interpretativo, analítico, com visões
exclusivas e antecipando o que será relevante nos próximos dias.
Isso poderá ser cobrado, até mesmo na internet", completa.
AP VS Google
Últimas Notícias Página 2 de 3
O debate "conteúdo pago versus conteúdo grátis" esquentou de vez
nos últimos dias, quando o presidente do conselho da agência de
notícias Associated Press, Dean Singleton, elevou o tom de suas
declarações contra os agregadores de notícias, como o Google
News. Por meio de um release, a AP informou que irá ampliar a
proteção ao conteúdo produzido por seus jornais associados,
limitando e fiscalizando o seu uso em páginas online não
autorizadas. "Não podemos mais ficar parados assistindo a
terceiros se apropriarem do nosso trabalho sob pretextos legais
equivocados", disse Singleton no encontro anual da entidade. O
Google emitiu comunicado refutando ser o alvo direto da
declaração, "uma vez que dispõe dos artigos por meio de uma
parceria acertada com a AP", e esclarecendo que uma simples
solicitação basta para os jornais não terem seus textos publicados
no Google News.
No Brasil, com exceção da Folha de S. Paulo, os grandes jornais
permitem que o Google Notícias agregue seus conteúdos. Para
Ricardo Vezo, diretor de negócios da unidade O Globo, da
Infoglobo, é preciso analisar o caso sobre diferentes prismas. "Se,
por um lado, o Google captura parte importante da receita
publicitária dos sites produtores de conteúdo, por outro, responde
por parcela considerável do tráfego gerado para estes através de
suas ferramentas de buscas", pondera. "Nós optamos pelo caminho
da parceria", conclui. O acesso às notícias do site de O Globo é
gratuito, mas a versão em PDF