quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Viver de blogs? Eles conseguem

Izabela Vasconcelos

Um foi demitido por blogar na hora do trabalho, o outro recebia críticas do pai para que deixasse o blog e procurasse um emprego. Contrariando as situações, os dois passaram a viver de blogs. Edney Souza, do Interney, blog e plataforma de blogs, e Thiago Mobilon, do Tecnoblog, especializado em tecnologia, estão entre os que conseguiram a proeza de lucrar com seus blogs.

Além de criar o Interney, que faz parte do IG, hoje Edney, aos 34 anos, é sócio da Pólvora, agência especializada em redes sociais e palestrante profissional na FGV, entre outras instituições. A Pólvora tem 20 funcionários, já Edney conta com uma secretaria e um desenvolvedor para sua plataforma de blogs. O empresário também trabalha com outra ideia, o Blog Content, empresa que irá desenvolver redes de blogs profissionais e já conta com três funcionários.

Demissão “impulsionou” carreira
“Há cinco anos trabalho só com comunicação. Em 2007, criei a rede de blogs, e depois comecei a perceber que muitas agências deixavam oportunidades passar nas redes sociais, aí criei a Polvora. Virou um balaio de coisas”, explica.

A paixão por blogar custou o emprego de Edney, que é formado em processamento de dados. “Já cheguei a ser demitido por atualizar o blog no horário de trabalho, na visita a um cliente. Aí eu pensei, será que isso é tão importante pra mim a ponto de eu perder meu emprego? Foi um momento chave pra mim”.

E por incrível que pareça, o que o blogueiro mais gostava de fazer, era o que mais lhe dava dinheiro. “Vi que o que eu mais gostava de fazer me dava mais dinheiro do que o que mais me estressava”. Mesmo assim, a vida não é tão tranquila. “Trabalho da hora que acordo até a hora que durmo”, diz.

A demissão fez Edney se dedicar mais ao blog. “No começo de 2005, decidi viver exclusivamente do blog, depois surgiu outras oportunidades”. Além de manter seu próprio blog, o empresário criou a plataforma de blogs Interney, que reúne vários blogueiros que, assim como Edney, também ganham dinheiro com a venda de espaço publicitário e a inclusão de lojas virtuais em suas páginas. Os blogueiros recebem comissão pelos produtos vendidos a partir de cliques em suas páginas.

Profissão: blogueiro
O que você faz? Essa pergunta nem sempre é fácil de ser respondida por um blogueiro. “Minha família não sei se entende até hoje o que eu e como eu faço. No começo meus amigos me achavam um louco, porque eu era gerente de sistemas na época e depois passei a me dedicar só ao blog”.

Resultados
Hoje, o Interney tem uma média de 5 a 7 milhões de visitas por mês. Edney prefere não revelar quanto ganha com o Interney, mas se mantém dele, além do trabalho na Pólvora e como palestrante. “Agora fica cada vez mais difícil responder essa pergunta”, ri o empresário, sugerindo que seus lucros cresceram com o tempo.

Empresário aos 24 anos
Já Tiago, hoje com 24 anos, criou seu blog quando tinha apenas 19. De lá pra cá, contratou nove pessoas para formar sua equipe, e seu blog, o Tecnoblog, foi chamado para fazer parte do Globo.com.

Tiago diz não ter horário para trabalhar. “Depende muito. Um dia desses saí para ir ao cinema e fui avisado pelo Iphone que o blog tinha saído do ar, aí eu fiquei tentando fazer ele voltar e acabei perdendo o filme. Não tem hora. Mas na maioria das vezes faço a maior parte das coisas de madrugada: gerencio, cuido da parte técnica, contrato e contabilidade”, conta.

O Tecnoblog foi criado em 2005, mas só em 2009 Thiago contratou uma equipe para ajudar no conteúdo e na parte técnica. “Em dezembro de 2005 criei o blog. Comecei a mexer em tecnologia, a me interessar. Em 2007, abri a empresa, em julho de 2009 contratei gente para escrever para o blog e em agosto desse ano veio a parceria com a Globo.com”, resume.

Vai trabalhar, menino!
O pai de Thiago não entendia por que o filho gastava tanto tempo na frente do computador. “Meu pai mandava eu ir trabalhar. Mas no fim, ele ficou espantado com o resultado, e depois de muito explicar, ele entendeu como funcionava”, conta.

Com o seu trabalho, Thiago já recebeu propostas de várias empresas e portais. “Trabalhei pra Intel e pra Nokia, atualizando os blogs deles em eventos e várias outras ações. Já recebi propostas de portais também, mas não deixei por causa do blog”.

Planos
Hoje Thiago se mudou para São Paulo e mora com dois editores do blog, um de Vitória e outro do Rio de Janeiro. A ideia deles é comprar um espaço e montar uma redação fixa, além de contratar mais funcionários. Hoje são 10 pessoas na equipe, mas apenas os três trabalham juntos, os outros sete ficam em diferentes cidades.

“Pretendo contratar um editor e uma pessoa pra parte técnica, nós só não contratamos porque ainda não temos espaço físico. É complicado gerenciar de longe”, afirma.

Resultados
Só na parte de conteúdo, o Tecnoblog conta com mais de 1, 5 milhão de acessos por mês. Se calculada a parte da loja virtual, esse número dobra. Thiago também não gosta de revelar o faturamento da empresa, mas admite que ultrapassa R$ 30 mil por mês. “Eu posso dizer que pra empresa se manter precisa ter mais R$ 30 mil em caixa por mês, sem o lucro, para o pagamento de funcionários e todas as despesas”. O dinheiro vem da parceria com a Globo.com, Google AdSense e, principalmente, da vitrine virtual do Mercado Livre.

Fonte: Comunique-se

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Revelados os vencedores do Top of Mind Paraná 2010

A Revista Amanhã apresentou na terça-feira, dia 5 de outubro, em café da manhã para convidados, o resultado da pesquisa Top of Mind Paraná 2010, que realiza há 16 anos, em parceria com o Instituto Bonilha, e apoio da FIEP – Federação das Industrias do Paraná. O projeto revela marcas, produtos, serviços, empresas e personalidades mais lembrados pelos paranaenses em mais de 70 categorias. As marcas líderes são identificadas a partir do relatório gerado por cerca de 1000 entrevistas pessoais realizadas pelo Instituto Bonilha nas principais cidades do Paraná, seguindo a delimitação clássica do IBGE.

A surpresa do estudo desse ano, realizado nos meses de julho e agosto, foi a ascensão da marca Sadia que aparece como líder em lembrança no estado, vencendo a mais importante categoria do ranking – Grande Empresa/Marca do Paraná, posição ocupada pela Copel há mais de 10 anos. "A vitória da Sadia não é à toa. A indústria está em cidades-chave do agronegócio do Paraná, como Ponta Grossa, Francisco Beltrão e Toledo e os paranaenses representam um terço da força de trabalho da companhia – cerca de 16,5 mil funcionários", explica Jorge Polydoro, diretor geral do Grupo Amanhã.

Confira todos os ganhadores aqui

Fonte: ClickMarket

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

90% das empresas brasileiras usam redes sociais

As redes sociais estão em alta nas empresas brasileiras, de acordo com um estudo realizado pela fabricante de softwares McAfee. Junto com Espanha e Índia, o Brasil está entre os países que mais fazem uso de aplicativos contidos em sites como Facebook e Twitter.

A McAfee fez um levantamento em 17 países e constatou que, em todos, mais de 75% das empresas utilizam ferramentas da chamada web 2.0 para os negócios. No caso de Brasil, Espanha e Índia, esse índice passou dos 90%, informa a BBC Brasil.

No geral, três entre quatro empresas disseram que o uso das redes sociais ajuda a ganhar dinheiro. Já no Brasil, nove a cada dez lucram com esses sites – o mesmo patamar alcançado nos Emirados Árabes Unidos, na Índia e no México.

Os bons números, no entanto, se devem a uma pressão sofrida exclusivamente no Brasil e na Índia pelo uso das redes como ferramenta de trabalho. De acordo com a pesquisa, 58% das empresas brasileiras disseram que o mercado as pressionou a adotar esses sites no dia a dia. Para a consultora brasileira Vanda Scartezini, que foi ouvida pela McAfee, o fato de os brasileiros “amarem” novidades ajuda a impulsionar as ferramentas 2.0. A analista Charlene Li ressaltou que a crescente demanda empresarial por redes sociais reflete seu uso nos países.

Mas o estudo revela uma contradição: enquanto os empresários usam sites como Facebook e Twitter cada vez mais para fazer negócios, eles mesmos proíbem seus funcionários de acessar os sites. Quase metade das empresas bloqueiam o acesso ao Facebook; mais na Espanha e Itália, onde 60% dos empresários são contra seu uso no horário de trabalho. O Brasil está entre os mais liberais, junto com Alemanha e Japão, países onde a proibição ao site de Mark Zuckerberg não chega a atingir um terço das empresas.

Fonte: Adnews

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Autorregulamentação está longe de consenso


Após rejeitar ideias como a do Conselho Federal de Jornalismo, empresas consideram prós e contras de novo modelo

Publicado em 27/08/2010 | Cinthia Scheffer, enviada especial
Antes da revogação da Lei de Imprensa, no fim do ano passado, jornalistas e empresários já discutiam alternativas à legislação, editada em 1967 e marcada pela ditadura instituída no país na época. Quando derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a lei eliminou, por exemplo, penas consideradas exageradas – fazendo com que o julgamento de ações contra jornalistas passasse a ser feito com base na Constituição e nos códigos Civil e Penal. Mas também deixou lacunas a serem preenchidas, como as questões que envolvem o direito de resposta. Na semana passada, vislumbrou-se uma solução com a intenção da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) de criar um conselho de autorregulamentação da imprensa. Um projeto ainda embrionário, no entanto, e longe de um consenso.

As formas de atuação do conselho ainda estão em estudo. O que se sabe até agora é que ele será composto por sete membros e nascerá com base nos modelos já adotados em outros países. Em seu discurso de abertura do Congresso Nacional de Jornais, realizado na semana passada no Rio de Janeiro, a presidente da entidade e diretora-superintendente da Empresa Folha da Manhã, Judith Brito, defendeu a criação do conselho como um avanço em relação aos códigos de ética já existentes em alguns jornais do país e na própria ANJ, em um “modelo que permita debater e avaliar nossos erros, de forma transparente”.

Responsabilidade

A ANJ vê no conselho uma forma de reiterar seu compromisso com a liberdade de expressão e com a responsabilidade editorial. A proposta remete a uma inevitável comparação com o Conselho de Autorre­gula­mentação Publicitária (Conar), que naquela mesma semana completava 30 anos e é tido pelo setor como um exemplo de sucesso no combate a abusos. Mas que, por outro lado, é questionado por dezenas de entidades não-governamentais que pedem restrições mais severas em alguns segmentos. Mantido por agências, anunciantes e empresas de comunicação, o Conar nasceu no fim dos anos 70, quando o governo federal pensava em sancionar uma lei que, para o setor, seria uma espécie de censura prévia à propaganda.

A comparação com o conselho publicitário, no entanto, trouxe à tona, em discussões no próprio congresso, as dificuldades de se implementar um órgão como este – reforçadas por críticas a uma possível reedição da abortada ideia de um Conselho Federal de Jornalismo, defendida em 2004 pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

“Não é censura agora?”, questiona o professor Rogério Christofoletti, pesquisador do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) em um artigo publicado nesta semana. O grande temor na época das discussões em torno do CFJ era que ele se tornasse um instrumento de censura. O editor de Opinião de O Globo, Aluizio Maranhão, que tem assento no Conar, indicado pela ANJ, disse em sua participação no congresso que o fato de o assunto estar na agenda do setor é bastante positivo, mas disse ver “sérias dúvidas” sobre a possibilidade de a ANJ criar um conselho nos moldes do Conar. “É muito mais fácil identificar o desvio numa publicidade do que o desvio numa reportagem”, ponderou. “Qual código poderá abranger o universo de 140 jornais num país disparatado como o nosso, onde se tem caciquias políticas, crime organizado com um pé na política, Bangladesh e Nova York?”, questionou.

Maranhão disse ainda que se sentia desconfortável ao criticar uma ação “corporativista-sindical-paraestatal” como a tentativa de criação de um CFJ e, ao mesmo tempo, defender a proposta da ANJ – ressaltando que fazia uma avaliação pessoal e política. O Conselho Federal de Jornalismo tinha como objetivo, entre outros pontos, “orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de jornalista”.

Riscos

O vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Abril e vice-presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), Sidnei Basile, também fez referência ao CFJ e argumentou que o país precisa de “menos tribunais de ética e de mais práticas de uma cultura de convivência de boa fé”. “Isso [a autorregulamentação] é mais ou menos como carregar uma carga de dinamite. Dá para ser feito, mas com um enorme cuidado, porque o risco é imenso.”

O vice-presidente da ANJ, Nelson Sirotsky, defendeu a ideia do conselho citando a censura ao jornal O Estado de S.Paulo como um “exemplo objetivo” de eventuais atuações do órgão. “Fernando Sarney, um dono de jornal, entrou com uma ação e censurou o jornal O Estado de S. Paulo. Todos os associados (à ANJ) têm de sustentar a liberdade de expressão. Nós temos os valores, mas não temos um rito, por isso vamos nos regulamentar”, disse ele, citando a proposta de se aplicar sanções aos jornais, não aos jornalistas. A punição máxima seria a desfiliação da entidade.

entrevista
Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ)

A autorregulamentação é o grande desafio do seu novo mandato?

A questão da autorregulamentação vem sendo discutida há muito tempo pelos associados da ANJ e tomou ainda mais força após a queda da Lei de Imprensa. Mas é apenas mais uma resposta dos jornais à sociedade, que exige a liberdade de expressão. A defesa dessa liberdade continua sendo o nosso grande mote. Também vamos trabalhar para viabilizar a migração das mídias para novas plataformas digitais em modelos saudáveis e economicamente viáveis.

Essas novas mídias foram um dos principais temas do congresso deste ano. A senhora as vê como uma ameaça ou uma oportunidade?

É tanto um desafio quanto uma oportunidade. Nós temos de saber fazer essa transição, exigindo a devida remuneração por um conteúdo cuja produção exige muitos investimentos. Os jornais de credibilidade investem em um jornalismo profundo, investigativo. Isso tudo custa muito. Sem o devido reconhecimento por este conteúdo, não é possível um trabalho profundo.

Isso passa necessariamente por conteúdo pago na internet ou telefone, por exemplo?

Certamente. O que estamos discutindo são formas práticas de viabilizar isso: quanto do conteúdo deverá ser fechado e pago e quanto deverá ser aberto. Provavelmente não há receitas prontas. Cada jornal certamente terá de pensar em sua própria estratégia. Mas também é uma discussão conjunta do que acontece no mundo, de experiências de sucesso que ajudam a avançar nessa discussão.

A ameaça à democracia foi uma temor recorrente durante os painéis do congresso. Em que medida a senhora acha que ela está ameaçada? Qual o papel dos jornais nesse cenário?

Sem dúvida, vivemos hoje uma situação de democracia no país como nunca se viu. Estamos em processo de consolidação, mas ela é bem-sucedida até o momento. Apesar disso, também temos visto experiências de censura prévia, muitas vezes derivadas de decisões judiciais. O papel da ANJ tem sido esse: defender prontamente a liberdade de expressão.

Na sua participação no congresso, o candidato José Serra fez uma dura crítica ao atual governo, acusando-o de cercear a imprensa. A senhora concorda que a imprensa foi cerceada?

Acredito que até temos alguns grupos que, em certas ocasiões, propõem medidas que poderiam ser entendidas como agressivas à mídia, tais como o Conselho Nacional de Jornalismo e outros. Mas acredito que a sociedade brasileira, por outro lado, é resistente, é complexa, e soube resistir muito bem a essas tentativas. A ANJ também tem tido um papel fundamental nesta defesa. (CS)

Fonte: Gazeta do Povo

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pagos para navegar no Orkut

A febre das redes de relacionamento fez surgir o analista de mídia social, cuja missão é verificar o desempenho de marcas e empresas na web

Publicado em 25/08/2010 - Breno Baldrati
5 horas é o tempo gasto, em média, pelo internauta brasileiro nas redes sociais todos os meses.
Segundo o estudo da consultoria Nielsen, 86% dos usuários do país frequentam esses sites
A necessidade das empresas em influenciar o debate sobre suas marcas nas redes sociais abriu espaço para o surgimento de um novo profissional: o analista de mídia social. Oriundos principalmente dos cursos de comunicação, eles atuam na web produzindo e distribuindo conteúdo, conversando com clientes e monitorando o que é dito sobre as empresas para as quais atuam.

A jornalista Frances Baras é uma que entrou nesse mercado. Ela começou a trabalhar como especialista em redes sociais há 7 meses na Magic Web, empresa curitibana que desenvolve soluções nas áreas de internet e multimídia. Entre as contas da agência, estão empresas como Trainer Assessoria Esportiva, Jasmine Alimentos e Vimo Vídeo Foto, que terceirizam o serviço de mídia social para a Magic. “O trabalho consiste em cuidar das contas dessas empresas nas redes sociais, mas também vai bem além disso. Discutimos temas que podem ser usados nos blogs dos clientes e conversamos com o pessoal da área de otimização para publicar o conteúdo de maneira a dar o máximo de visualização para a marca”, conta ela, que muitas vezes também atua como “ponte” entre consumidor e empresa. “Monitoramos o que está sendo dito e repassamos as dúvidas aos departamentos específicos. Depois, damos o feedback ao usuário.”

Outras empresas optam por “internalizar” o funcionário, como O Boticário. A fabricante de cosméticos conta com um profissional exclusivamente dedicado às redes sociais, mais um grupo de suporte de 10 pessoas para monitorar a web. “O profissional é responsável por avaliar e monitorar o movimento das redes sociais com relação à marca Boticário e aos produtos. O trabalho também visa identificar oportunidades para desenvolver ações estratégicas, estreitar relacionamento com o consumidor, difundir conteúdo de lançamentos, e ainda, obter retorno do consumidor em relação a produtos do Boticário”, diz Renato Vertemati, coordenador de Serviços de Marketing do Boticário.

Mercado

“Esse é um mercado gigantesco, com muito potencial”, diz Joyce Jane, CEO do iDigo – Núcleo de Inteligência Digital, que oferece capacitação em novas tecnologias, com foco no universo corporativo. O Brasil, segundo estudo feito pela consultoria Nielsen, é o país mais conectado em redes sociais. Mais de 85% dos usuários brasileiros passam em média cinco horas por mês nesses sites.

“A consolidação da voz do consumidor faz com que as empresas tenham de se adaptar. O consumidor eliminou o intermediário. Ele não quer mais esperar a boa vontade de um SAC. O pessoal da nova geração é cada vez mais digitalizado, eles gostam e atuam nas rede sociais, e esse movimento só vai se fortalecer”, afirma Joyce.

Para ela, quem quer entrar nesse mercado precisa entender que a atualização e a “reciclagem” profissional é constante. “É preciso se manter o tempo todo um grande estudioso dessa nova comunicação e tem de ser antenado no que está acontecendo. As redes sociais são um caminho que evolui numa rapidez absurda, e a produção de conhecimento na área, com novas plataformas e ferramentas para interagir, é enorme. Então esse profissional precisa ser humilde e reconhecer que não vai estar pronto nunca. É uma atualização constante”, diz.

Entender os mecanismos para aumentar a audiência dos clientes é a dica de Antonio Borba, diretor comercial da Magic Web. Segundo ele, as empresas buscam um analista de rede social especialmente para aumentar sua influência nas ferramentas de busca. “As empresas querem maior visibilidade no Google. O analista precisa saber espalhar o nome da marca, aumentando sua relevância.”

Ensino

Número de cursos na área cresce
A demanda das empresas por profissionais para atuar nas mídias sociais criou uma nova oferta de cursos na área. Neste semestre, a iDigo – Núcleo de Inteligência Digital, deve lançar cinco programas de especialização em redes sociais em Curitiba. No Rio de Janeiro, onde atua, a iDigo oferece cursos como “Redes sociais para os negócios”, “Redes sociais para Recursos Humanos”, “Como utilizar métricas na gestão do seu negócio” e “Estratégias de comunicação para Mobile”. A CEO da empresa, Joyce Jane, diz que a programação para Curitiba ainda não está fechada, mas o primeiro curso deve ocorrer no fim de setembro.

Também na capital, a Lemon Escola de Criatividade oferece um curso intitulado “Mídia e estratégias digitais”, com professores de várias agências de publicidade do país, como Leo Burnett e McCann.

Em São Paulo, as agências Colmeia, Cubocc e Livead, referências no mercado de comunicação digital, se juntaram à escola gaúcha Perestroika para lançar o curso “A Missa”, que começa no mês que vem. Cada módulo contará com aulas de profissionais de uma das agências. O curso será sempre aos sábados, até dezembro. “Não é um curso que se limita às redes sociais. É claro que vai discutir as ferramentas da web, mas vai além: quer discutir também as estratégias por trás do uso das redes sociais”, diz Tiago Mattos, sócio-diretor da Perestroika.

Serviço:

iDigo: http://www.idigo.com.br/
Lemon School: http://www.lemonschool.com.br/
A Missa: http://www.amissa.com.br/

Tiago Mattos, sócio-diretor da Perestroika responde algumas questões sobre mídia social

As empresas devem manter uma presença ordinária na internet – um relacionamento genuíno com sua audiência, sem ser “sanguessuga”. A opinião é do publicitário Tiago Mattos, sócio-diretor da Perestroika, uma escola de atividade criativa com cursos voltados à comunicação, com sede em Porto Alegre.
Leia a entrevista completa

Fonte: Gazeta do Povo

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sayonara, jornal? Não tão cedo

Revista Exame – Negócios Globais – 11/08/2010 – Pág. 72 a 74
 Fundado no Japão em 2003 por Ken Takeuchi, jornalista que já foi prefeito de Kamakura, estância turística próxima à capital Tóquio, o jornal online JanJan News tornou-se uma das mais recentes vítimas da crise mundial no país. No início de 2010, Takeuchi viu-se obrigado a limitar o site a um simples blog de conteúdo administrado apenas por ele próprio, de sua casa. A ideia inicial de criar um espaço aberto à publicação de notícias pelos próprios leitores teve de ser abandonada. O JanJan News contava com um escritório era Tóquio e algumas dezenas de funcionários e havia chegado a 8 000 usuários cadastrados como "cidadãos-repórteres". Sua audiência era de respeitáveis 10 milhões de visualizações por mês, mas o empreendimento nunca conseguiu estabelecer um fluxo de caixa estável. Com a queda nas receitas dos anúncios durante a crise, a empresa já não conseguia mais cobrir os custos de operação, de cerca de 1 milhão de dólares anuais, e entregou os pontos. O JanJan representava um dos poucos sites de conteúdo jornalístico exclusivo para a web num país que tem altíssimos índices de acesso à internet e é sempre associado ao que há de mais moderno em tecnologia digital. "O Japão ainda não está pronto para aceitar o surgimento de novas e múltiplas fontes de notícias, especialmente na internet", disse Ken Takeuchi em entrevista ao The New York Times.

O fracasso da empresa — pequena quando comparada a iniciativas semelhantes em outros países e minúscula em relação às principais companhias que controlam mídias tradicionais no Japão — é sintomático do cenário que caracteriza a indústria jornalística da terceira maior economia mundial. O Japão é o único do grupo de países desenvolvidos em que o jornalismo impresso ainda não enfrenta de maneira tão intensa o impacto da internet nas vendas. De acordo com

O mais recente relatório da Associação Mundial de Jornais, sediada em Paris, o Japão disponibilizou na rede pouco mais de uma centena de jornais nos últimos anos. Nos Estados Unidos, há mais de 1 700 sites de notícias. A maioria dos jornais japoneses online é tratada como um produto secundário pelas empresas que publicam os diários. Em muitos casos, somente parte do conteúdo da edição em papel vai para a internet. Por outro lado, cinco dos dez maiores jornais do mundo em circulação diária são japoneses. Mais de 10 milhões de exemplares do conservador Yomiuri Shimbun são folheados diariamente no Japão, volume mais de três vezes superior à circulação do tablóide inglês The Sun. Como nos Estados Unidos e na maior parte da Europa, o volume de diários distribuídos no Japão está diminuindo, mas num ritmo bem mais lento. Na última década, enquanto a circulação do Yomiuri Shimbun caiu 4%, a do tablóide alemão Bild caiu 28%, e a do The Sun. 12%. "As editoras de jornais aqui também estão preocupadas com a tendência de queda e a necessidade de adaptar seu modelo de negócios, mas, enquanto o mundo não bolar uma alternativa viável para ganhar dinheiro com jornalismo na internet, elas vão estender ao máximo seu foco nos impressos", diz Kaori Hayashi, professora de jornalismo na Universidade de Tóquio.

A TAXA DE 99% DE ALFABETIZAÇÃO da população japonesa ajuda a explicar o sucesso duradouro dos jornais. Mas existem outros fatores. Os conglomerados de mídia criaram sofisticados sistemas de distribuição desde o início do século 19 que cobrem toda a extensão do arquipélago. Cerca de 95% dos jornais vendidos no país chegam aos leitores por meio de assinaturas, e cada família recebe ao menos um título todos os dias. O Asahi Shimbun, segundo maior jornal do país, com circulação diária de 8 milhões de exemplares, conta com mais de 70000 pessoas trabalhando em mais de 2600 pontos de distribuição. "Os jornais são como a eletricidade ou a água, que chegam às casas automaticamente", diz Kaori. Outra característica que protege a indústria é o envelhecimento da população. A questão demográfica representa um dos mais graves desafios para a economia japonesa. Do ponto de vista desse negócio, no entanto, o fato de o país contar com uma parcela crescente de adultos e idosos, habituados a ler o formato tradicional dos periódicos, ajuda a explicar boa parte da resistência do modelo atual e das projeções de vendas por mais alguns anos.

Com uma relativa segurança proporcionada pelos hábitos da população e pelas receitas garantidas das vendas das edições empapei, as empresas japonesas de notícias pisam o terreno da internet com muito mais cautela que suas pares ocidentais. Em abril, o Nikkei, principal jornal econômico do país. começou um experimento em sua versão online. O diário proibiu até mesmo que outros sites pudessem dar um link para suas reportagens. As opiniões sobre a experiência se dividiram entre os que acham que o jornal simplesmente não entende o propósito amplo e interativo da internet e os que viram a medida como uma estratégia inteligente para manter a fidelidade dos leitores às edições impressas.

Numa entrevista recente ao Financial Times, o presidente do Asahi Shimbun, Kotaro Akiyama, disse que ainda não tem planos definidos de aumentar a presença na intemet. Mas ele afirmou também estar observando atentamente os movimentos de colegas como Rupert Murdoch. O australiano, dono do conglomerado News Corp., cobra pelo acesso a boa parte do conteúdo online do Wall Street Journal e recentemente fechou completamente o acesso ao The Times, um dos maiores jornais londrinos - agora só quem tem assinatura pode ler o site. Mas o conservadorismo dos grandes grupos da mídiajaponesa não pode durar para sempre. É conhecida a dedicação dos japoneses a seus telefones celulares e a tudo o que diz respeito a tecnologia. Um levantamento feito em 2009 pelo centro de pesquisa Shimbun Tsushin Chosakai afirma que 60% dos jovens na casa dos 20 anos e quase 50% em seus 30 anos utilizam a intemet como fonte de notícias. Além disso, de acordo com dados da Dentsu, maior agência de publicidade do Japão e uma das maiores do mundo, em 2009 os gastos com anúncios na internet no país totalizaram 8,1 bilhões de dólares, superando pela primeira vez o montante destinado aos jornais impressos. (Os sites de notícias ficaram com cerca de 3 bilhões de dólares.) Ou seja: pode não ser a hora de dizer sayonara ao papel — mas com certeza é bom dar as boas-vindas à internet com um sonoro irashaimase.

Fonte: APJ - Associação Paulista de Jornais

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Segredos dos usuários são a nova mina de ouro da web

Julia Angwin, The Wall Street Journal
04/08/2010

Escondido dentro do computador de Ashley Hayes-Beaty, um minúsculo arquivo ajuda a acumular detalhes pessoais sobre ela, e tudo isso será colocado à venda por um vigésimo de centavo.

O arquivo consiste em um único código - 4c812db292272995e5416a323e79bd37 - que secretamente a identifica como uma mulher de 26 anos, da cidade americana de Nashville, Tennessee.

O código sabe que alguns de seus filmes favoritos são "A Princesa Prometida", "Como Se Fosse a Primeira Vez" e "10 Coisas que Eu Odeio em Você". Sabe também que ela gosta da série "Sex and the City". E ainda que navega por notícias de entretenimento e gosta de testes de conhecimento geral.

"Bem, eu gostaria de pensar que ainda existe algum mistério em mim, mas aparentemente não!", disse Hayes-Beaty quando lhe contaram o que o pedacinho de código revela sobre ela. "O perfil é assustadoramente correto."

Hayes-Beaty está sendo monitorada pela Lotame Solutions Inc., empresa de Nova York que usa um software sofisticado chamado de "beacon" para capturar o que as pessoas estão digitando em um site de internet -seus comentários sobre filmes, digamos, ou seu interesse por gravidez e informações para pais. A Lotame empacota esses dados em perfis, sem identificar o nome da pessoa, para empresas que estão em busca de clientes. Os gostos de Hayes-Beaty podem ser vendidos no atacado (um pacote de apreciadores de filmes custa US$ 1 por milhar) ou customizado (jovens de 26 anos que moram no sul dos Estados Unidos e gostam de "Como Se Fosse a Primeira Vez").

"Você pode segmentar tudo até chegar a uma só pessoa", diz Eric Porres, diretor de marketing da Lotame.

Uma investigação do Wall Street Journal descobriu que um dos negócios que mais crescem na internet é o de espiar os usuários.

O WSJ realizou um estudo abrangente que avalia e analisa o vasto conjunto de cookies e outras tecnologias de vigilância que as empresas estão usando para seguir os passos dos internautas. O estudo revela que o acompanhamento dos consumidores se tornou ainda mais dominante e mais intrusivo do que todos, com exceção de algumas poucas pessoas na vanguarda da indústria, imaginam.

  • O estudo descobriu que os 50 principais sites dos EUA instalaram uma média de 64 peças de tecnologia de rastreamento nos computadores dos visitantes, sem nenhum alerta. Uma dúzia de sites instalaram mais de 100. A Wikipédia, que não tem fins lucrativos, não colocou nenhum.
  • A tecnologia de rastreamento está se tornando mais inteligente e mais intrusiva. O monitoramente costumava ser limitado principalmente aos "cookies" que registram as visitas das pessoas aos websites. Mas o WSJ encontrou novas ferramentas para escanear em tempo real o que as pessoas estão fazendo numa página de internet e, aí, determinar a localização, renda, interesses de compra e até mesmo estado de saúde. Algumas ferramentas secretamente se refazem, mesmo depois de o usuário ter tentado apagá-las.
  • Os perfis de pessoas, constantemente atualizados, são comprados e vendidos em mercados que surgiram nos últimos 18 meses e se assemelham a bolsas de valores.

As novas tecnologias estão transformando a economia da internet. No passado, os anunciantes basicamente compravam espaço publicitário em páginas específicas da internet - um anúncio de carro num site de carros. Agora, os anunciantes estão pagando um ágio para seguir as pessoas na internet, onde elas forem, com mensagens de marketing muito específicas.

Entre o usuário da internet e o anunciante, o WSJ identificou mais de cem intermediários - empresas que coletam os dados, corretores de dados e redes de anunciantes - que competem para suprir a crescente demanda por dados sobre comportamento e interesses individuais.

Os dados sobre os hábitos cinematográficos de Hayes-Beaty, por exemplo, estão sendo oferecidos a anunciantes na BlueKai Inc., uma das novas bolsas de dados.

"A maré está mudando em relação à forma como o setor funciona", diz Omar Tawakol, diretor-presidente da BlueKai. "Os anunciantes querem comprar acesso às pessoas, não páginas na internet."

O WSJ examinou os 50 sites mais populares dos EUA, que correspondem a 40% das páginas de internet que são vistas pelos americanos. (O Journal também testou seu próprio site, o WSJ.com.) Aí, analisou os arquivos de acompanhamento e programas que esses sites baixaram em um computador de teste.

Juntos, esses 50 sites colocaram 3.180 arquivos para coletar dados nos computadores de teste do WSJ. Quase um terço deles eram inócuos, usados para lembrar a senha de um site favorito ou identificar os artigos mais populares.

Mas mais de dois terços - 2.224 - foram instalados por 131 empresas, muitas das quais estão no negócio de seguir os usuários da internet e criar um rico banco de dados com perfis de consumidores que podem ser vendidos.

O principal local para tal tecnologia, descobriu o WSJ, é o Dictionary.com, da IAC/InterActive Corp. Uma visita ao dicionário on-line resultou no download de 234 arquivos ou programas no computador de teste de WSJ, sendo que 223 deles vieram de empresas que monitoram os usuários da internet.

A informação que as empresas coletam é anônima, no sentido de que os usuários de internet são identificados por um número designado ao seu computador, não pelo nome específico da pessoa. A Lotame, por exemplo, afirma que não sabe o nome de usuários como Hayes-Beaty - somente seus comportamentos e atributos, identificados por um código numérico. As pessoas que não querem ter seus passos seguidos podem ser removidas do sistema Lotame.

E o setor alega que os dados são usados sem prejudicar ninguém. David Moore, presidente do conselho da 24/7 RealMedia Inc., uma rede de anúncios da WPP PLC, informa que o rastreamento dá aos usuários da internet uma propaganda melhor.

"Quando um anúncio é propriamente focado, ele deixa de ser um anúncio, ele se torna uma informação importante", diz.

O monitoramento não é coisa nova. Mas a tecnologia está se tornando tão poderosa e onipresente que mesmo alguns dos maiores sites dos EUA afirmaram que não tinham conhecimento, até que foram informados pelo WSJ, de que estavam instalando arquivos intrusivos nos computadores dos visitantes.

O WSJ descobriu que o popular portal de internet da Microsoft, o MSN.com, plantou um arquivo recheado de dados: ele tinha a previsão da idade do internauta, código postal e sexo, além de um código com a estimativa de renda, estado civil, presença de crianças na casa e propriedade de imóveis, de acordo com a empresa de coleta de dados que criou o arquivo, a Targus Information Corp.

Tanto a Targus quando a Microsoft afirmaram que não sabiam como o arquivo tinha ido parar no MSN.com, e acrescentaram que a ferramenta não continha informações "pessoais identificáveis".

O rastreamento é feito por minúsculos arquivos e programas chamados de "cookies", "Flash cookies"e "beacons". Eles são colocados em um computador quando o usário visita o site. Os tribunais dos EUA decidiram que é legal usar o tipo mais simples, o cookie, assim como é legal uma pessoa que usa um telefone permitir que um amigo escute uma conversa. Os tribunais ainda não decidiram sobre os programas mais complexos.

O monitoramento mais intrusivo vem do que o setor chama de arquivo de acompanhamento de "terceiros". Eles funcionam assim: na primeira vez em que um site é visitado, ele instala um arquivo de acompanhamento, que atribui ao computador um número de identificação único. Mais tarde, quando o usuário visita um site ligado à mesma empresa de acompanhamento, ele pode tomar nota de onde o usuário esteve antes e onde está agora. Desta forma, a empresa pode construir um perfil robusto.

Informações sobre os pensamentos das pessoas e suas ações a cada momento, reveladas por sua atividade on-line, podem mudar de mãos rapidamente. Alguns segundos depois de uma visita ao eBay.com ou ao Expedia.com, é provável que informações detalhadas sobre a atividade do internauta sejam leiloadas na bolsa de dados gerida pela BlueKai.

Porta-vozes da eBay Inc. e da Expedia Inc. informam que os perfis são vendidos anonimamente e que as pessoas não são identificadas como visitantes dos seus sites. A BlueKai informa que seu próprio site dá aos consumidores uma maneira fácil de ver o que ele monitora sobre eles.

Os arquivos de rastreamento chegam aos websites, e são baixados para um computador, de várias maneiras. Muitas vezes, as empresas simplesmente pagam aos sites para distribuir seus arquivos de monitoramento.

Mas as empresas de rastreamento às vezes escondem seus arquivos dentro de software gratuito oferecido aos websites, ou os escondem dentro de outros arquivos de acompanhamento ou anúncios. Quando isso acontece, os sites não estão sempre cientes de que estão instalando os arquivos nos computadores dos visitantes.

O acompanhamento do consumidor é a base de uma economia de publicidade on-line que movimentou US$ 23 bilhões nos EUA no ano passado. A atividade de monitoramento está com crescimento explosivo. Pesquisadores dos AT&T Labs e do Instituto Politécnico Worcester encontraram no fim do ano passado tecnologia de rastreamento em 80% dos 1.000 sites mais populares, em comparação com 40% desses sites em 2005.

Espionar os usuários, o negócio da hora na rede

Julia Angwin, The Wall Street Journal
04/08/2010

Estudo revela que o acompanhamento dos consumidores se tornou mais dominante e invasivo do que todos imaginam

Uma investigação do Wall Street Journal descobriu que um dos negócios que mais crescem na internet é o de espiar os usuários.

O WSJ realizou um estudo abrangente que avalia e analisa o vasto conjunto de "cookies" e outras tecnologias de vigilância que as empresas estão usando para seguir os passos dos internautas. Ele revela que o acompanhamento dos consumidores se tornou mais dominante e invasivo do que todos imaginam - com exceção de algumas poucas pessoas na vanguarda da indústria.

O estudo descobriu que os 50 principais sites dos EUA instalaram uma média de 64 peças de tecnologia de rastreamento nos computadores dos visitantes, sem nenhum alerta. Uma dúzia de sites instalaram mais de cem dispositivos.

A tecnologia de rastreamento está se tornando mais inteligente e mais invasiva. O monitoramento costumava ser limitado principalmente aos "cookies " que registram as visitas das pessoas aos websites. Mas o WSJ encontrou novas ferramentas para escanear em tempo real o que as pessoas estão fazendo numa página da internet e, então, determinar a localização, renda, interesses de compra e até o estado de saúde. Os perfis das pessoas, constantemente atualizados, são comprados e vendidos em mercados que surgiram nos últimos 18 meses e se assemelham a bolsas de valores.

Fonte: Valor Online

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma esperança para o jornal em papel

Fernando Martins
Publicado em 21/07/2010 | fernandor@gazetadopovo.com.br

Caro leitor, saiba que muitos analistas dizem que você é um espécime em processo acelerado de extinção, caso esteja lendo este artigo na versão impressa da Gazeta do Povo. Para muitos, em pouco tempo ler textos no papel será tão antiquado como redigir cartas em máquina de escrever – ainda que essa modernidade não traga apenas benefícios, como pode aparentar.

Se o fim da informação em papel de fato se concretizar, com a migração integral do conteúdo para a internet, é possível que o mundo perca uma importante forma de perceber a realidade, ainda que as tecnologias digitais estejam abrindo outras modalidades de entrar em contato com o mundo ao nosso redor.

Ler é, afinal, um jeito de conhecer algo que não se sabia anteriormente ou de se lembrar de algo esquecido. E a plataforma em que se lê – um jornal, um livro, a tela de um computador ou o monitor de um celular – determina, ainda que não percebamos, a forma como assimilamos (ou não) os dados disponíveis. O fim do papel seria, portanto, a extinção de uma modalidade de percepção.

Um jornal, seja ele em papel ou na internet, é um conjunto hierarquizado de informações. Ambos têm uma capa que resume as notícias que os jornalistas daquele veículo consideram mais importantes.

Mas as semelhanças entre o pa­­pel e o on-line ficam por aí. O jornal impresso tem características altamente interessantes que parecem estar esquecidas diante de nosso fascínio pelas novidades trazidas pela internet: a rapidez da notícia, a interatividade e a possibilidade de reunir múltiplas mí­­dias em uma única (texto escrito, som e imagens em movimento).

Quem lê o jornal impresso não costuma ler apenas na capa – ao contrário do que muitos fazem na versão eletrônica. Vai virando páginas e entrando em contato, ainda que apenas pela leitura dos títulos das reportagens, com todas as notícias que os jornalistas daquele veículo consideraram importantes, sejam elas de seu interesse ou não.

Ou seja: o leitor do papel tende a estar mais informado do que o internauta, que não costuma clicar em todas as editorias on-line disponíveis. Em outras palavras, na web a pessoa normalmente procura apenas aquilo que a interessa. No papel, o leitor é forçado a saber mais.

A hierarquização das informações no jornal impresso também é mais intensa. Quem olha a versão em papel sabe de imediato quais são as notícias mais importantes apenas pela sua posição (no alto, no meio ou no pé das páginas). Também percebe que um texto é maior que outro – ou seja, que um profissional decidiu dar mais destaque a ele por achá-lo mais importante. Essa característica fica quase que completamente perdida na internet, pois a pessoa precisa clicar nos títulos das notícias para só então perceber o quão extensa (e relevante) é uma notícia.

Uma contracorrente de pensadores acredita que são justamente essas características que farão o jornal impresso sobreviver. De nada adianta haver quantidade de informação se ela não está altamente hierarquizada. Ou seja: precisamos de pessoas que interpretem dados, os organizem para nós e mostrem quais são os mais importantes. E, ao menos no campo das notícias, o papel ainda é a melhor forma de fazer isso.

Fonte: Gazeta do Povo

Adesivos de família são pouco perigosos

Fernanda Deslandes
Marco Charnerski

Adesivos de bonecos, que representam as pessoas amadas, viraram moda na traseira de carros por todo o País. Para algumas pessoas, esse tipo de desenho pode oferecer subsídios à criminalidade para tornar o dono do carro a próxima vítima de um roubo ou sequestro. Delegados atuantes em Curitiba garantem que não.

A dentista Juliana Borges colocou no carro os bonequinhos que representam ela e seu namorado. Mesmo assim, tem medo do que esses desenhos podem representar. “Ali você sabe quantos homens, mulheres ou crianças usam o carro. Uma pessoa de má fé que consiga esses dados pode fazer aquelas ligações fingindo sequestro. Se eu tivesse filhos, acho que não colocaria”, confessa.

O coronel Roberson Bondaruk, comandante da Academia Policial Militar do Guatupê, destaca perigo em alguns adesivos. Para ele, os adesivos mais perigosos não são os dos bonequinhos. “Os adesivos de academia, universidade ou até dos bonequinhos são mais genéricos, não apresentam tanto risco. O problema são os decalques com dizeres como “fulano à bordo’ ou “fulano e beltrana: amor eterno’, por que esses nomes podem ser utilizados por um delinquente interessado em forjar um sequestro, por exemplo”, garante.

Sem medo

Para tranquilizar quem já tem os adesivos no carro ou tem interesse de colar, o delegado Riad Braga Farhat, titular do Grupo Tigre, garante que essa moda não apresenta risco. “Os sequestros não acontecem de uma maneira tão simples. Todos os que atendemos tem um histórico de indicação de familiares ou ex-funcionários, e o sequestrador faz um estudo muito mais detalhado”, afirma.

De acordo com ele, para realizar um sequestro o criminoso precisa conhecer vários pormenores que os adesivos não são capazes de mostrar.

O delegado Luiz Carlos de Oliveira, titular do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), também acredita que os adesivos do carro não dão subsídios suficientes para incentivar um crime. “Dificilmente alguém vai se basear nos adesivos para cometer um roubo ou sequestro. Eles já existem há décadas e nunca acarretaram problemas”, afirma.

Fonte: Paraná Online

terça-feira, 20 de julho de 2010

Google será processado por manter páginas de apologia ao crime no Orkut

Redação Portal IMPRENSA

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro entrou com uma ação contra o Google, na última quinta-feira (15), que inclui 1.387 registros de crimes registrados pela Delegacia de Repressão a Crimes na Internet, que tratam sobre práticas de pedofilia, apologia às drogas e propaganda de facções criminosas. O alvo do processo seriam páginas da rede social Orkut, controlada pela companhia.

O Orkut é uma das redes de relacionamento mais populares no Brasil: 70% de seus usuários acessam o site em suas residências. Na ação contra o Google, os procuradores dão um prazo de 120 dias para que a companhia possa monitorar perfis e comunidades que façam apologia a atos criminosos e informar as autoridades sobre qualquer suspeita. Caso contrário, a empresa terá que pagar multa diária de R$ 100 mil e poderá ser obrigada a interromper o fornecimento do serviço.

De acordo com o jornal O Globo, o subprocurador-geral do Estado do Rio, Rodrigo Mascarenhas, declarou que a intenção não é censurar o site, e, sim, fazer com que a companhia desenvolva um sistema de busca que localize o usuário responsável pelo perfil, permitindo que ele seja retirado da internet.

Em nota, a assessoria do Google Brasil informou que os casos de uso indevido de seus serviços "são passíveis de denúncia pelos usuários", e que as normas de utilização de suas plataformas "estão claramente expressas nos respectivos sites". Até o momento, a empresa alega não ter sido notificada formalmente da decisão da Procuradoria-Geral e que "reafirma seu comprometimento com o respeito à legislação brasileira".

Fonte: Portal da Imprensa

domingo, 18 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Google reinicia guerra dos navegadores da web

Por Nick Wingfield e Amir Efrati, WSJ

Anos atrás, o navegador de internet Firefox recriou um ambiente de forte competição entre os browsers, um mercado naquele momento dominado esmagadoramente pelo Internet Explorer, da Microsoft Corp. Agora, o Google Inc. está chacoalhando novamente o mercado de navegadores.

O navegador Chrome, do Google, alcançou em junho 7,24% do mercado global e é hoje o programa para surfar na Internet que cresce mais rápido, de acordo com dados da NetApplications.com, que acompanha o uso da web. O Google informa que o Chrome tinha mais de 70 milhões de usuários ativos em maio. Em junho de 2009, eram 30 milhões.

A terceira posição do Google no ranking de navegadores ampliou a influência da empresa na definição de padrões técnicos que moldam os sites da Internet e canalizam os usuários para sua ferramenta de buscas.

"O navegador é importante por causa da sua capacidade de direcionar o acesso a outros ativos", diz Sheri McLeish, analista da Forrester Research.

A determinação do Google de ganhar uma base nesse mercado mostra como os navegadores voltaram a se tornar importantes campos de batalha, uma vez que mais programadores de software estão transferindo para a Internet aplicativos ancorados em sistemas operacionais de PCs, como Windows e Macintosh.

O Google está tentanto aprofundar ainda mais a mudança com um novo sistema operacional chamado Chrome OS, feito a partir do navegador e projetado para rodar apenas software baseado na web. A expectativa é de que laptops com o Chrome OS, feitos por parceiros de hardware do Google, sejam lançados no fim do ano. "Quando a internet fica melhor, o Google tende a se beneficiar", diz Sundar Pichai, vice-presidente de desenvolvimento de produtos do Google.

A guerra dos navegadores do fim dos anos 90 entre a Microsoft e a Netscape Communications Corp. foi a primeira grande batalha da era da internet, terminando com uma série agressiva de conflitos nos tribunais de defesa da concorrência para a Microsoft e com o desparecimento da Netscape, que acabou sendo esquecida. O Internet Explorer saiu da batalha com uma fatia de mais de 90% do mercado de navegadores, até o surgimento do Firefox.

O Firefox é um browser de código aberto criado com a colaboração de programadores voluntários, supervisionados pela Fundação Mozilla, entidade sem fins lucrativos que surgiu de uma organização criada pela Netscape no fim da década de 90. O Firefox encontrou uma audiência receptiva, em parte por conta da proliferação de um código malicioso que explorou vulnerabilidades de segurança do Internet Explorer.


Foto: Dados do mercado de Browsers. (WSJ)Muitos consumidores passaram a ver o Firefox como uma alternativa inovadora e segura, o que ajudou o software a ganhar a segunda posição. O uso do navegador chegou a 24,7% em novembro, mas escorregou para 23,8% em junho, de acordo com a NetApplications.

A perda de fôlego foi provocada por sugestões de que o Chrome e outros navegadores estavam superando o Firefox em inovação. Em resposta a uma questão feita em maio no Quora, um site de discussões, sobre a capacidade do Firefox de manter a participação de mercado de dois dígitos em três ou cinco anos, Blake Ross, um cofundador do projeto Firefox, escreveu que estava "muito cético".

"Acho que a organização Mozilla gradualmente voltou ao seu padrão antigo de ser muito tímida, passiva e dirigida pelo consenso para conseguir lançar produtos de vanguarda rapidamente", escreveu Ross, hoje diretor de produtos do Facebook Inc. Ele não respondeu aos pedidos para detalhar seus comentários.

Dentro da mesma discussão, o diretor-presidente da Mozilla, John Lilly, disse estar confiante de que o Firefox vai manter sua participação no mercado de navegadores. Uma porta-voz da Mozilla se recusou a comentar o que foi escrito por Ross e se referiu à resposta de Lilly, que já anunciou planos de deixar o cargo.

Executivos da Mozilla tinham declarado anteriormente que o objetivo deles há muito é estimular a concorrência no mercado de navegadores e influenciar os padrões técnicos da Internet, e não aumentar fatia de mercado e receita. Mitchell Baker, presidente do conselho da Fundação Mozilla, disse que o atual ambiente competitivo para os navegadores "parece um sonho que se realizou".

Enquanto isso, o uso do Internet Explorer subiu para 60,32% em junho, ante 59,75% em maio, o primeiro aumento mensal para o software da Microsoft em quase um ano. A empresa está desenvolvendo uma nova versão do seu browser, o Internet Explorer 9.0, que poderá aproveitar melhor a capacidade de processamento dos PCs para produzir gráficos de web mais detalhados.

"A concorrência sempre nos dá um bom impulso para garantir que atendamos às necessidades dos nossos clientes", diz Ryan Gavin, diretor da Microsoft para o Internet Explorer.

Os esforços do Google para fazer um novo navegador — iniciados em 2006 — nasceram do temor de que os browsers já existentes não dariam suporte a seus serviços de internet ou fariam os usuários deixar de usar sua ferramenta de buscas. O navegador foi elogiado por alguns especialistas em tecnologia pela rapidez e segurança, mas também ganhou impulso com uma rara publicidade do Google — da sua página inicial a anúncios no metrô de Paris e comerciais de televisão.

Por Nick Wingfield e Amir Efrati.
The Wall Street Journal

Fonte: Zwelangola

“Empresas de comunicação apostam que leitores estão preparados para pagar pelo noticiário online”

O fim da era da internet gratuita
"A informação quer ser gratuita" é o refrão da internet há muito tempo. Quando um vídeo, uma música ou um artigo estão na rede, são mais difíceis de ser controlados do que uma sala cheia de gente curiosa.
Oferecer conteúdo gratuito para começar é um elemento básico para uma empresa. Mas como estratégia a longo prazo, "gratuito" não faz muito sentido: como criadores de conteúdo poderão continuar produzindo se não forem pagos? A publicidade é uma das maneiras de pagar as contas. Mas as companhias da internet ainda lutam para entender e avaliar o impacto dos anúncios online. Ao mesmo tempo, muitos anunciantes continuam céticos e questionam até que ponto poderão depender dele.
Tanto o setor de comunicação quanto o de entretenimento voltaram a experimentar planos de pagamento para conteúdo online. Algum dia, 2010 poderá ser lembrado como o ano em que as companhias acabaram com a ideia da internet "gratuita".
Atualmente, o Google tenta aplicar o YouTube Rental. O novo serviço permite que as companhias cobrem dos usuários para assistir a determinados vídeos, como programas de TV ou filmes. Os geradores de conteúdo também poderão tentar diferentes planos de pagamento para testar de que modo afetam as vendas.
O jornal britânico The Times, de propriedade da Rupert Murdoch"s News Corp, pretende estabelecer um preço que seria pago para a leitura de artigos - cerca de US$ 3 por semana, ou US$ 1,50 por dia. Para desestimular os que carregam o material gratuitamente, motores de busca como o Google serão impedidos de acessar o conteúdo.
O New York Times anunciou que planeja proteger a maior parte de seu conteúdo por um sistema de pagamento até certo ponto fácil de evitar. O jornal solicitará o pagamento depois que um leitor voltar ao site certo número de vezes por mês. Para atrair novos leitores, o jornal diz que os visitantes que chegam por intermédio de um motor de buscas ou de outro recurso sempre obterão acesso livre.
A revista The New Yorker pretende cobrar um pagamento único no fim do ano, segundo a revista Advertising Age. Mediante o pagamento de uma tarifa, os assinantes poderão ler a revista em todas suas formas - impressa, no iPad da Apple, no Amazon Kindle, e possivelmente em outros aparelhos de leitura eletrônicos - por um preço único, em lugar de ter de comprar o acesso a cada texto separadamente.
A Wired Magazine cobra US$ 4,99, o mesmo do preço da banca, para a leitura de uma edição no tablet do iPad. A versão inclui recursos interativos não disponíveis na edição impressa.
Parte dessa mudança tem a ver como trecho há muito esquecido da famosa citação "a informação quer ser gratuita". "A informação quer ser cara, por ser valiosa", disse o escritor Stewart Brand na Conferência dos Hackers, em 1984. "A informação certa no lugar certo pode mudar sua vida. Por outro lado, a informação quer ser gratuita, porque seu custo está baixando cada vez mais. Por isso elas brigam entre si".
De certo modo, somente a segunda parte pegou.
"A distribuição gratuita de conteúdo de qualidade para uma empresa equivale a jogar valor fora até falir", diz um recente relatório da Group M, agência de compra de veículos de informação da WPP, a gigante internacional da mídia e da publicidade. O relatório define as pessoas que usam os motores de busca para encontrar notícias ou informações de "turistas inúteis" que não pagam e não têm valor, mesmo para os anunciantes.
Outros não têm tanta certeza de que a internet tenha chegado ao ponto em que pode cobrar. "Vou fazer uma previsão", disse Arianna Huffington, criadora do famoso blog Huffington Post, em um recente painel que discutia o futuro do noticiário online. "Os sistemas de pagamento não funcionarão."
"Em termos históricos, os consumidores não se mostram dispostos a pagar pelo acesso eletrônico às notícias", escreveu Dave Morgan, empresário e especialista em publicidade online, em uma entrevista por e-mail. "É muito difícil montar empresas com assinatura pagas para a leitura do noticiário eletrônico. Não há muitos exemplos de sucesso entre as empresas por assinatura voltadas para quem procura noticiário digital."
O Wall Street Journal hoje cobra por grande parte do seu conteúdo de notícias, embora este possa ser acessado indiretamente por meio de um motor de busca ou por outros sites. Mas o Wall Street Journal é considerado uma exceção à regra, porque as assinaturas muitas vezes são pagas pelos empregadores, e não pelos indivíduos.
O New York Times abandonou uma primeira tentativa de cobrar parte de seu conteúdo, supostamente por ter constatado que a redução do número de leitores também reduz o atrativo para os anunciantes.
Uma diferença hoje talvez seja a explosão de telefones celulares, como os smartphones e os tablets. Com os celulares, "os clientes foram treinados a pagar por tudo, das mensagens de texto ao correio de voz e os minutos (do tempo de chamada)", diz Darren Tsui, CEO da mSpot, provedora de música para aparelhos móveis da Califórnia. "Pagar pelo conteúdo realmente não é tão estranho para eles, em comparação com os usuários da internet, que estão acostumados a ter tudo de graça."
Para Tsui, o iTunes da Apple constitui o modelo para a criação de conteúdo pago: oferecer um serviço importante gratuito e melhorá-lo progressivamente com recursos pagos. O iTunes começou como uma maneira de as pessoas organizarem suas próprias músicas. Mais tarde tornou-se uma maneira de comprarem as próprias músicas.
"É muito difícil conseguir que alguém que até agora não pagou por nada comece, de repente, a pagar US$ 10 por mês ", diz Tsui. "Se pudermos fazer esta transição bem devagar e de maneira metódica, acho que teremos mais chances de converter os usuários."
Os leitores nunca pagaram totalmente por seus jornais, ressalta o analista James McQuivery. A maior parte do custo e da publicação das informações sempre foi coberta pela publicidade. O mesmo se aplica à programação das antigas TVs e rádios.
Para McQuivery, os consumidores estão acostumados a pagar pelo "acesso" ao conteúdo por meio da TV a cabo, dos planos de internet e das contas do telefone móvel, em vez de pagar pelo conteúdo em si. A receita que vai para os criadores de conteúdo é menor. A parte maior vai para as distribuidoras.
Pam Horan, presidente da Associação das Editoras Online, é mais otimista quanto ao pagamento pelo conteúdo digital.
O fato de os proprietários de smartphones e de iPad pagarem por aplicativos, como jogos ou material de leitura, é o primeiro indicador de que os americanos pagarão pelo conteúdo que venha com um pacote atraente, diz Pam.
"O segredo é não oferecer apenas conteúdo interessante, também novas experiências", diz Horan em um e-mail. "O iPad tem tudo isto - o impacto visual do papel, melhorado pelos elementos interativos como vídeo e as ferramentas de integração com as mídias sociais." / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA (transcrito do Estado de São Paulo, edição de domingo dia 11/07/2010)

Fonte: Jornal Umuarama Ilustrado

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Presidente do Google diz que leitura de notícias por meios digitais é iminente

O presidente-executivo do Google, Eric Schimidt, afirmou na última terça-feira (6), em uma conferência, que a leitura de notícias vai migrar para aparelhos digitais mais rápido do que se imagina, informou a Folha de S.Paulo.

Schimidt disse também que a novo formato terá textos, cores e vídeos e vai permitir uma relação mais personalizada com o leitor, de acordo com os interesses desse. "Hoje temos leitores, mas não é inteligente o suficiente. Jornais geralmente me informam coisas que eu já sei", disse.

De acordo com ele, os jornais estão enfrentando um desafio porque estão trocando dólares de papel por centavos digitais e muita gente está perdendo o emprego com isso.

Fonte: Portal da Imprensa

CNC contesta lei paranaense que instituiu quatro faixas de pisos salariais para trabalhadores

A Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC) ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4432) contra uma lei paranaense que instituiu quatro faixas de pisos salariais para os trabalhadores daquele estado.

De acordo com a CNC, a Lei 16.470/2010 foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná e sancionada pelo governador do estado, mas contraria a Constituição Federal. Isso porque o artigo 7º da Constituição diz que o piso salarial deve ser proporcional à extensão e à complexidade do trabalho.

No caso da lei paranaense, a CNC sustenta que os valores foram fixados de forma totalmente aleatória, sem qualquer critério vinculado à complexidade do exercício da profissão.

Os salários foram divididos pela lei em quatro grupos. O primeiro abrange os técnicos de nível médio, com salário de R$ 765,00. O segundo grupo é formado por trabalhadores da produção de bens e serviços industriais e passaria a receber R$ 714,00. O terceiro seria formado por trabalhadores de serviços administrativos, vendedores do comércio e lojas e mercados e trabalhadores de reparação e manutenção, e receberiam R$ 688,50. Por último, o quarto grupo receberia R$ 663,00 e seria formado por trabalhadores de atividades agropecuárias, florestais e da pesca.

Para a confederação, no entanto, não é possível estabelecer que mais de 130 categorias profissionais incluídas em uma única faixa salarial desenvolvam atividades com a mesma extensão e a mesma complexidade.

A confederação diz que, para “a estipulação dos pisos salariais de atividades devidamente representadas, faz-se necessária a negociação coletiva, seja convenção ou acordo, pois, somente os atores sociais que participam desses instrumentos coletivos, dispõem dos elementos necessários para poder estipular os devidos valores de pisos para aquela categoria de trabalhador”.

Argumenta que a situação pode levar à falência os pequenos municípios do Paraná, além de causar impacto negativo nos “parcos postos de trabalho que ali se encontram”. Por isso, a CNC também afirma que a lei viola o princípio constitucional da busca do pleno emprego, garantido pelo artigo 170 da Constituição.

Além disso, invoca o artigo 8º da Constituição para afirmar que houve desrespeito ao princípio da autonomia sindical. Isso porque o dispositivo desvincula as entidades sindicais de qualquer intervenção do poder público e da ingerência estatal na organização sindical.

Na opinião da Confederação, a lei estadual gera efeito concreto no poder de atuação e invade a competência dos sindicatos para defender os interesses coletivos ou individuais da categoria por eles representada.

A Confederação diz que é necessária uma liminar para suspender a eficácia da lei, pois há o risco de se consolidar prejuízo irreparável na aplicação dos pisos salariais. No mérito, pede a declaração definitiva da inconstitucionalidade da norma paranaense.

O relator da ação é o ministro Dias Toffoli.

CM/CG//RR

Fonte: Portal STF

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Governo lança padrão brasileiro de redação para a web

Izabela Vasconcelos

O Ministério do Planejamento (Governo Eletrônico) lançou a Cartilha de Redação Web, com o padrão brasileiro de redação para web. O material foi elaborado pelo jornalista Bruno Rodrigues, que trabalhou por um ano e meio no projeto. A cartilha está disponível aos internautas e pode ser baixada gratuitamente.

O livro aborda várias questões de texto na internet, como uso de títulos, links, redes sociais, recursos multimídia, usabilidade, entre outros.

Rodrigues explica que a cartilha não determina regras, mas faz sugestões. “Não é um padrão, mas é um norte para orientar quem não entende de redação online”, afirma.

O material foi avaliado pelo Governo Eletrônico, passou por uma consulta pública de 30 dias e recebeu sugestões da sociedade. “Não foi algo que o governo definiu e pronto. Eles colocaram no site e ficou aberto para sugestões. Recebemos muitas ideias de órgãos públicos e de cidadãos comuns”.

A cartilha deve ser adotada pelas instituições públicas brasileiras. O jornalista irá apresentar o material a 260 órgãos do governo em uma reunião em Brasília.

Fonte: Comunique-se

terça-feira, 6 de julho de 2010

FAS abre inscrições para cursos gratuitos de empreendedorismo

A Fundação de Ação Social (FAS) abriu inscrições para o Programa de Desenvolvimento de Empreendedores. Trata-se de cursos para apoio ao pequeno produtor artesanal e semi-industrial. Os participantes receberão orientações e assessoramento nos processos de produção, comercialização e organização associativista.

As inscrições podem ser feitas na rua Saldanha Marinho, 161, e os cursos serão realizados no Liceu da rua Monsenhor Celso nº 35. O liceu é o novo espaço para o empreendedorismo da FAS. O curso é totalmente gratuito.

A metodologia utilizada nos treinamentos é a do CEFE Internacional - Competência Econômica através da Formação de Empreendedores, baseada na aprendizagem por ação (jogos de empresa), andradogia (educação de adultos, valorizando a troca de experiências) e características empreendedoras pessoais.

Informações sobre os cursos pelo telefone: (41) 3321-2643

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Trabalhador pagará diferença de contribuição

Zínia Baeta, de São Paulo
02/07/2010

O governo publicou nesta semana uma portaria dos ministérios da Fazenda e Previdência Social que atualiza os valores das contribuições sociais dos trabalhadores ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A correção já era esperada por causa da atualização em 7,72% dos benefícios previdenciários - como as aposentadorias - concedida pela Lei nº 12.254. A novidade da portaria, porém, está na retroatividade da correção, a janeiro deste ano, às contribuições pagas pelos trabalhadores. As empresas terão de recalcular a diferença entre o índice novo e o de dezembro do ano passado e fazer um novo desconto dos salários dos empregados. A medida foi uma surpresa, pois imaginava-se que a majoração só valeria para as contribuições a partir de junho, mês em que a Lei nº 12.254 foi publicada.

O consultor tributário da ASPR Auditoria e Consultoria, Douglas Rogério Campanini, afirma que a retroatividade não era esperada, pois em dezembro de 2009 a tabela já havia sido atualizada em razão da correção de 6,14% concedida pela Medida Provisória nº 457, editada naquele mês. Na conversão em lei, no entanto, um novo aumento foi concedido, de 7,72%. O advogado Fábio Medeiros, sócio do escritório Machado Associados Advogados e Consultores, afirma que não se esperava que as diferenças entre os índices fosse ser cobrada de forma retroativa à fonte de custeio. "Não era aguardada uma cobrança passada, pois a atualização por lei foi realizada em junho e desde janeiro os contribuintes já recolhiam um valor atualizado pela medida provisória", diz Campanini.

Apesar de não ter impacto financeiro direto para as empresas, a medida traz uma série de complicações burocráticas, segundo advogados que atuam na área. "Ainda que sejam os cinco primeiros meses do ano, há um custo burocrático imenso para as empresas, com tempo e pessoas que deverão se dedicar à tarefa", afirma Medeiros. Um exemplo de retrabalho, segundo Campanini, é o recálculo e as novas declarações a serem feitas pelas empresas. Além disso, o tributarista afirma que há o problema com o sistema de declarações da Previdência Social, que automaticamente gera multas e juros por atrasos. "Não sabemos ainda se o governo publicará algum ato para dispensar os contribuintes dessas multas", diz

Há também problemas que podem surgir em razão dos funcionários demitidos neste ano e dos serviços prestados por trabalhadores avulsos, sujeitos à retenção da contribuição ao INSS. De acordo com Campanini, se o empregado já foi dispensado, não há como a empresa cobrar a diferença e, provavelmente, a companhia terá de arcar com o pagamento. Quanto aos avulsos, o problema é a eventualidade da prestação do serviço, o que pode dificultar a cobrança.

Outra consequência da atualização dos valores e da retroatividade é o reflexo no Imposto de Renda (IR), descontado diretamente do salário dos empregados. Segundo o advogado Fábio Medeiros, a contribuição ao INSS integra a base de cálculo do imposto. Se há um aumento no valor da contribuição, há uma alteração no cálculo do IR. "Imagino que o governo deva publicar uma orientação para esses procedimentos", afirma.

A assessoria de imprensa da Previdência Social informou que o ministério e a Receita Federal vão publicar em breve orientações para os contribuintes, informando quais devem ser os procedimentos adotados pelas empresas para o pagamento retroativo das diferenças.

Fonte: Valor Econômico

INSS cobra diferença de contribuição

Imaginava-se que o pagamento das diferenças seria cobrado apenas a partir da publicação da nova lei

A Previdência Social publicou nesta semana nova tabela do INSS para atualizar os valores das contribuições sociais a serem descontadas dos trabalhadores. A medida já era esperada em razão da correção do salário mínimo e das aposentadorias no fim do ano passado por medida provisória, convertida em lei em junho. No entanto, a retroatividade dos novos valores a janeiro deste ano foi uma surpresa. Imaginava-se que o pagamento das diferenças seria cobrado apenas a partir da publicação da nova lei.

Especialistas afirmam que, apesar de os empregadores não arcarem com a atualização - que cabe ao trabalhador -, na prática a medida traz uma série de complicações para eles, que devem fazer o recálculo das diferenças a serem descontadas da folha de salários desde o início do ano e retificar declarações. Outro problema é o de funcionários já demitidos e de serviços prestados por avulsos.

Fonte: Valor Econômico